Nise da Silveira é homenageada com estátua em Maceió
Segundo o prefeito Rui Palmeira, a homenagem se justifica pela história e legado
Resgatar a história dos alagoanos ilustres, imortalizando-os em monumentos espalhados por pontos turísticos da cidade, é isso o que a Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), tem feito. Na manhã desta terça-feira (30), o prefeito Rui Palmeira inaugurou a quarta escultura, agora em homenagem a Nise da Silveira, renomada psiquiatra alagoana. O monumento, localizado no Corredor Vera Arruda, foi feito pelo escultor e artista plástico mineiro Léo Santana.
Segundo o prefeito Rui Palmeira, a homenagem se justifica pela história e legado de Nise da Silveira. “A doutora Nise, alagoana, foi pioneira na humanização do tratamento psiquiátrico. Na turma de Medicina lá na Bahia, ela era a única mulher. Ela foi perseguida pelo regime ditatorial de Getúlio Vargas. Conseguiu dar a voltar por cima e mostrar para o mundo que o método dela de terapia era muito mais eficiente. Antes os tratamentos causavam muito sofrimento para os pacientes, mas ela chegou para mudar isso”, destacou o gestor.
Além de Nise da Silveira, outros três ilustres alagoanos foram homenageados com esculturas em tamanho real feitas de bronze: Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda, inauguradas em 2015 em comemoração aos 200 anos de Maceió, e o ator Paulo Gracindo, inaugurada dois anos depois.
O presidente da Fmac, Vinícius Palmeira, considera que a construção do monumento significa saldar uma dívida com os alagoanos. “Foi por meio das artes visuais que ela transformou a terapêutica destinada aos seus pacientes, chamados por ela de clientes. Essa é a conexão da cultura com a saúde. Ela foi revolucionária em todos os sentidos. Somos orgulhosíssimos do que estamos fazendo. A escultura é muito bonita, traz os traços fidedignos da nossa conterrânea.
Os próximos ídolos alagoanos homenageados com uma escultura serão os escritores Lêdo Ivo e Jorge de Lima. Léo Santana, escultor e artista plástico mineiro responsável por criar todas essas obras de artes, falou da honra em retratar a grande psiquiatra alagoana.
“Quando veio esse convite, eu achei uma maravilha. Ela transformou a Psiquiatria pela arte, isso me deixou fascinado. No processo de produção, o que mais me encantou foi exatamente essa vontade de conhecê-la, de ser quase amiga dela, para assim poder retratá-la da melhor forma possível. As fotos e imagens ajudaram no processo de criação. Foram quatro meses de trabalho. Coloquei um gatinho no colo dela, pois é uma parte da vida dela, sempre utilizando os animais no processo terapêutico”, falou Santana, que também criou a escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, posicionada no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A inauguração contou com uma presença especial, Lúcia Pontes, sobrinha da Nise da Silveira. Ela, como representante de toda a família, agradeceu a homenagem realizada pela Prefeitura de Maceió. “É uma homenagem justíssima. Ela ficaria muito feliz, não só pelo busto dela ali, mas pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”, disse emocionada.
Uma trajetória de sucesso e luta
Símbolo da revolução na psiquiatria, Nise Magalhães da Silveira nasceu em 1905. A psiquiatra, que sempre foi contrária às formas agressivas de tratamento usadas em sua época, a exemplo do eletrochoque, ficou conhecida por implantar um olhar humano na psiquiatria.
Nise foi uma das primeiras mulheres formadas em Medicina do Brasil e nunca escondeu sua admiração e inspiração por Carl Jung, um dos pais da psiquiatria. A alagoana foi, inclusive, pioneira na terapia ocupacional, que utiliza atividades recreativas para o tratamento de distúrbios psíquicos.
Nise chegou a ficar presa por dois anos após ser acusada de envolvimento com o comunismo, mas continuou seus estudos enquanto esteve sem liberdade. O trabalho inovador da psiquiatra e de seus pacientes resultou na criação do Museu do Inconsciente, que funciona até os dias de hoje no Rio de Janeiro.
A alagoana teve sua história contada no filme “Nise – O Coração da Loucura”, dirigido por Roberto Berliner e estrelado pela atriz Glória Pires.
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