Museu Théo Brandão homenageia o artista alagoano Gil Lopes, vítima da Covid-19
Gil Lopes era servidor da Ufal e também uma figura conhecida do carnaval alagoano
Imagine um artista múltiplo, inquieto, com a criatividade em constante ebulição. Esse foi Gil Lopes, um alagoano de Maceió, que desde muito cedo sentiu o chamado da arte e foi contagiado pelas festas populares, especialmente o carnaval. A paixão pela festa da carne foi revelada em muitas de suas manifestações artísticas. Algumas dessas criações poderão ser vistas a partir de segunda-feira (8), às 18h, no Parque Shopping, na exposição Gil Lopes: carnaval que nos convém, uma homenagem do Museu Théo Brandão (MTB) ao artista que no final de 2020, não resistiu à covid-19, deixando um legado de talento e inspiração.
O evento é uma realização do Parque Shopping, do Museu Théo Brandão e do bloco Filhinhos da Mamãe. Representações de momentos diversos da carreira artística de Gil estão na mostra, que ficará aberta até o dia 28 de fevereiro.

A mostra, com curadoria assinada por Hildênia Oliveira, terá peças de Gil que são parte do acervo do MTB e da família. Serão incluídas na exposição fantasias criadas e confeccionadas pelo artista como “Pierrô da Alegria”, “Dama de Copas”, “Guerreiro Alagoano” e fantasias dos guardiões do bloco Filhinhos da Mamãe, além da boneca gigante de carnaval, máscaras, estandartes e boi de cerâmica.
O artista, que também foi carnavalesco, exprimiu em suas produções o colorido alegre da cultura nordestina, sua vivência e seu olhar para esse universo. O Boi Lacrau, personagem do carnaval alagoano, teve, muitas vezes, a indumentária desenhada por Gil, o que rendeu o tetra campeonato no concurso anual de boi.
Multiplicidades de técnicas e expressões
Foram muitas as exposições coletivas e individuais que receberam as pinturas em cerâmica, óleo sobre tela, confecção de mandalas, de estandartes, de bois de carnaval, entre outras artes de Gil Lopes. Múltiplas expressões e técnicas usadas pelo artista, que também foi servidor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) por 37 anos, dos quais, 23 dedicados ao MTB, onde até 2011 exercia o cargo de decorador, período em que deixou nas exposições do Museu a marca de sua curadoria.
Marca também deixada na boneca de carnaval “Mamãe”, que recebia todos os anos a reverência e os cuidados de Gil, um dos “filhinhos” mais próximos do bloco carnavalesco. Na véspera do carnaval fora de época de Maceió, Gil era um dos que caprichavam na arrumação dos cabelos, na pintura das unhas e na maquiagem da boneca, ritual que se constituía em uma atração à parte.
Na Ufal, Gil teve a oportunidade de trabalhar com a professora Maria José Carrascosa, quando ela coordenava o grupo folclórico Professor Théo Brandão. O servidor e artista passou a desenhar os figurinos dos brincantes de folguedos do grupo e a auxiliar os ensaios.
Segundo a sobrinha de Gil, Elis Lopes, as homenagens foram constantes durante os seus quase 40 anos de carreira artística. Ela lembra que nas décadas de 1980 e 1990, Gil já deixava a marca de seu talento na decoração carnavalesca de clubes. Com relação às exposições, Elis destaca: “A mostra dos bois em cerâmica, na orla de Maceió, foi uma das que ele mais amava”. A exposição citada pela sobrinha foi intitulada Boibrincar e aconteceu em agosto de 2010, integrando o projeto Museu vai à rua.
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