Coadjutor de D. Antônio Muniz, Beto Breis deve dar outro rumo ao Caso Braskem
Dom Beto Breis acaba de chegar em Maceió, mas tem em sua bagagem experiência em enfrentar mineradoras que devastaram vidas
O bispo coadjutor, Dom Beto Breis, chegou em Maceió para auxiliar o Arcebispo Dom Antônio Muniz. Dom Beto, traz em seu currículo uma grande participação política em sua antiga diocese, em Juazeiro da Bahia. Sua experiência em enfrentar uma mineradora que vem destruindo comunidades locais no norte da Bahia, podem ser uma pedra no sapato da Braskem.
Durante coletiva de imprensa ocorrida na última sexta-feira (05), Dom Beto Breis contou que esteve presente na região afetada pelo afundamento do solo em decorrência da exploração sem precedentes da Braskem. De acordo com o bispo, a situação dos que ali ainda vivem é semelhante ao que ele encontrou em sua antiga diocese.
No primeiro dia de 2024, Dom Beto esteve na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, que está interditada por estar situada em área de risco. Na ocasião, Dom Beto conversou com moradores da região do Bom Parto e sentiu de perto as dificuldades que os fiéis vêm enfrentando.
O mais novo bispo coadjutor lembrou que, diante das atividades criminosas que a mineradora Pedras do Brasil vem realizando no norte do solo baiano, emitiu notas de repúdio, apresentou denúncias e teve diversos encontros com o governador do Estado e seus secretários para que chegassem em uma solução acerca da exploração nefasta da mineradora.
“Nem sempre a morte semeada e cultivada pelos que colocam no centro o lucro e seus interesses se manifesta abrupta, como nas Minas Gerais, mas muitas vezes vem em conta-gotas, aos poucos, gerando não menos dor e indignação”, diz Dom Beto e um trecho de sua nota de repúdio à mineradora Pedras do Brasil.
Desde 2017 a mineradora Pedras do Brasil vem mudando o cenário local com poluição do ar através de poeira tóxica, contaminação de lagos locais e impactando a vida dos moradores com explosões constantes.
Dom Beto Breis já deixou informado que irá se inteirar sobre a exploração criminosa da Braskem no solo de Maceió e tomará providências.
Além da defesa da população local, fazer frente contra a Braskem é de total interesse da Arquidiocese de Maceió, visto que o terreno que a mineradora vinha utilizando para retirar areia na região da Praia do Francês, através de uma empresa terceirizada para fazer o serviço, pertencente à Arquidiocese.

O terreno foi doado por um médico que deixou de herança para a Arquidiocese ainda nos anos de 1980. Dom Antônio explica que, até o momento, nenhum arcebispo anterior teve interesse em investir no terreno doado, mas essa intervenção feita pela Braskem fez com que Dom Antônio acionasse o Ministério Público Estadual. O metropolita ainda afirmou que a Igreja teve 20% do seu patrimônio dilapidado com o fechamento das comunidades do Mutange, Bom Parto, Bebedouro e Pinheiro.
Maceió acaba de ganhar, além de um bispo coadjutor, mais um ator que será crucial na resolução definitiva do crime ambiental causado pela Braskem.
*Com supervisão da Editoria
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