Pesquisa aponta que 72,2% das famílias alagoanas estão endividadas
Para economista, percentual é influenciado pelo consumo de itens básicos via crédito e pelo custo de moradia na capital
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (23) pelo Instituto da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fercomércio-AL) aponta que 72,2% das famílias alagoanas estão endividadas. Isso quer dizer que as dívidas alcançam cerca de 750 mil famílias em todo o Estado.
Em dezembro de 2023, 60,9% da população estava endividada. Esse percentual subiu para 72,2% em agosto de 2024. “É um aumento que sofre influências desde o consumo básico baseado no crédito até a inflação local que incide nos alimentos e na moradia na cidade de Maceió”, avalia o assessor econômico do Instituto Fercomércio, Francisco Rosário.
Do total, 31,8% têm dívida em atraso e 9,3% afirmaram que não terão condições de pagar as contas. Ainda em agosto deste ano, foi possível perceber que houve um crescimento no número de famílias pouco endividadas (20,5%) e reduções na quantidade de famílias muito endividadas (-7,1%), e mais ou menos endividadas (-6,8%).
Quando desmembrados na comparação anual, estes percentuais demonstram que o volume de famílias mais ou menos endividadas, que havia chegado a 32,5% (08/2023), está em 25,6% (08/2024), refletindo uma redução de -21,1%. Já o número de famílias pouco endividadas saltou de 18,2% (08/2023) para 31,7% (08/2024), resultando em crescimento de 74,1%.
“Isso reforça a hipótese de que o aumento do endividamento, desde dezembro passado, está sendo feito por novas dívidas e as famílias ainda conseguem administrar essas dívidas”, observa Rosário.
Contas em atraso
Ainda segundo a pesquisa, em agosto deste ano a inadimplência (as contas em atraso) teve um acréscimo de 5,3%, ou seja, uma taxa de crescimento maior do que a total dos endividados.
No total, o percentual de famílias com as dívidas em atraso por mais de 90 dias teve um recuo de –5,2%, na comparação mensal, quando 36% afirmaram estar com dívidas atrasadas por período superior aos 90 dias, sendo a totalidade composta por famílias de menor renda.
“O complicador, aqui, é que estamos no segundo semestre do ano, período de maior consumo, e o crescimento da inadimplência pode sinalizar a redução no fôlego do consumo das famílias alagoanas”, avalia Rosário.
Inadimplência e as famílias de baixa renda
5,5% das famílias com renda mais baixa (até 10 salários mínimos) estão na inadimplência, saindo de 31,6% para 33,3%.
O perfil de endividamento é diverso, mas é interessante notar que os carnês apresentaram crescimento de 18,8%, entre junho e agosto. Entre as demais modalidades, houve redução no uso do cheque pré-datado, sendo substituído pelo cartão de crédito que, por sua vez, ainda é a maior fonte de endividamento para as famílias.
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