Mais de 44 mil pessoas aguardam um órgão no Brasil
No país, 27 de setembro é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Uma data para lembrar que milhares de pessoas estão à espera de um transplante
No Brasil, 27 de setembro é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Uma data para fazer todo mundo lembrar que milhares de pessoas estão em filas à espera de um transplante - inclusive crianças.
A música é companheira e alento para quem há sete meses vê o mundo pela janela do hospital. Lá, o Daniel Mendes Ricarte Dias, de 13 anos, também estuda nas apostilas da escola, faz fisioterapia. Sempre ligado aos medicamentos que mantêm o coração doente funcionando à espera do transplante.
Se o coração novo chegasse na velocidade das pedaladas... Há um ano, o Incor, o Instituto do Coração de São Paulo, é o quintal, a casa, a escola da Gabriela Cabral Lino, de 9 anos. Tudo foi ganhando a carinha da menina esperta.
Repórter: O que você pede para os seus anjinhos?
Gabriela: O meu coração novo.
E enquanto ele não chega, uma palavra define o que ela sente olhando a foto dos irmãos, da família completa em casa. Transformar esses dias que se arrastam em uma espera menos dolorosa é um esforço diário das famílias.
"A gente tem um mix de sentimentos. Passa da esperança, da ansiedade. Mas a gente tem muita fé em Deus que o 'sim' dele vai chegar”, diz a promotora de merchandising Daiane Mendes, mãe do Daniel.
"Tem horas que a gente tem muita confiança e fé, e está tudo bem. E tem horas que é mais difícil", conta a terapeuta Carolina Cabral Lino, mãe da Gabriela.
Mais de 44 mil pessoas esperam por um órgão no Brasil; 63 delas são crianças e adolescentes à espera de um coração, de um sopro de vida que depende da generosidade dos doadores, da solidariedade das famílias e do empenho dos profissionais de saúde do país inteiro.
Da captação e preservação dos órgãos doados à logística para o transporte rápido. O cirurgião e chefe da pediatria do Incor, Marcelo Jatene, diz que a mobilização tem que ser geral.
"Eu acho que é uma briga, no bom sentido, de todos. Eu acho que todos têm que estar envolvidos nesse processo. Primeiro, todos terem consciência de que essa é uma experiência que, infelizmente, qualquer um de nós pode passar”, diz Marcelo Jatene, médico chefe da pediatria do Incor.
A cardiologista Andrea Lenzi lembra que saber abordar as famílias de possíveis doadores também é importante.
"A gente sabe que, no momento da perda de um ente querido, há muita dor, muito sofrimento da família. Mas, ao olhar e fazer a doação, você muda a vida das pessoas. Então, quem recebe, recebe não só um órgão, recebe um presente de vida e um presente de oportunidades”, afirma a cardiologia pediátrica Andrea Lenzi, do Hospital Pequeno Príncipe.
E a retribuição pode vir em forma de pura fofura. Graças ao transplante de coração em agosto, Vicente, de 1 ano, pôde deixar o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Um momento que jamais será esquecido.
"Depois de 7 meses de UTI, fiquei 24 horas por dia com ele, e é uma sensação maravilhosa, inexplicável”, comemora Raquel Alves, mãe do Vicente.
Uma alegria que o Dani, a Gabi e tanta gente, pequena ou grande, também espera viver.
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