Maceió

Goleiro do CSA, destaque da partida, homenageia pai morto por organizada: 'Queria o senhor aqui'

Peu foi morto durante um ataque de uma torcida organizada em 2023

Por 7Segundos 07/01/2026 11h11 - Atualizado em 07/01/2026 11h11
Goleiro do CSA, destaque da partida, homenageia pai morto por organizada: 'Queria o senhor aqui'
Pedro Ariel brilha no gol do CSA na Copinha e transforma dor em força ao homenagear pai assassinado - Foto: Reprodução

O CSA teve em Pedro Ariel um de seus principais nomes no empate por 0 a 0 diante do Bahia, nesta terça-feira (6), pela segunda rodada da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2026. Seguro debaixo das traves, o goleiro foi decisivo para manter o time alagoano sem sofrer gols e saiu de campo como destaque da partida.

Durante o confronto, Ariel realizou defesas importantes em momentos de pressão do adversário. O lance mais emblemático ocorreu após a cobrança de um pênalti por Juninho: o arqueiro defendeu a batida inicial e, com rapidez, evitou o gol ao interceptar o rebote com os pés, garantindo mais um “clean sheet” na competição.

Fora das quatro linhas, o jovem goleiro também chamou atenção por um gesto de forte carga emocional. Após o jogo, ele recorreu às redes sociais para relembrar o pai, Pedro Lúcio dos Santos, o “Peu”, vítima de um episódio de violência envolvendo torcedores em 2023. Em um story, Ariel apareceu segurando uma camisa com a mensagem “Peu vive” e escreveu: “Eu só queria o senhor aqui”.

“Peu” era torcedor do CSA e foi brutalmente agredido após uma partida contra o Confiança, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, em maio de 2023. Ele chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu dias depois. Segundo o Ministério Público, o crime teria sido cometido por integrantes de uma torcida organizada do CRB, em um contexto de retaliação relacionada à morte de um torcedor regatiano.

À época do ocorrido, Pedro Ariel integrava as categorias de base do próprio CRB, que informou ter oferecido acompanhamento psicológico ao atleta diante da tragédia familiar.

O caso teve desfecho judicial em outubro de 2025, quando Milton Pereira e Jonas Paulo Santana foram condenados a 28 anos de prisão pela morte de “Peu”. Antes disso, o Superior Tribunal de Justiça havia decidido pela impronúncia de outros sete investigados, por entender que não havia elementos suficientes para levá-los a julgamento.

Dentro de campo, Pedro Ariel segue construindo sua trajetória com atuações seguras; fora dele, carrega a memória do pai como motivação em um caminho marcado por superação e resiliência.