Meio ambiente

[Vídeo] Necrópsia aponta que “Leôncio” foi morto com extrema violência em AL

Caso ocorreu dentro de uma unidade de conservação federal; laudo será encaminhado às autoridades

Por Giulianna Albuquerque 01/04/2026 18h06 - Atualizado em 01/04/2026 18h06
[Vídeo] Necrópsia aponta que “Leôncio” foi morto com extrema violência em AL
Instituto Biota confirma que elefante-marinho encontrado morto em Jequiá da Praia era Leôncio - Foto: Reprodução

A necrópsia do elefante-marinho conhecido como "Leôncio" revelou que o animal foi vítima de um ataque brutal no litoral de Alagoas. As informações foram divulgadas, a noite desta quarta-feira (1º), pelo biólogo Bruno Stefanes, diretor-executivo do Instituto Biota de Conservação.

Segundo Bruno Stefanes, os primeiros resultados já confirmam a gravidade do caso. “Venho compartilhar com vocês informações preliminares da necrópsia, mas a equipe veterinária e os biólogos já fecharam que o animal foi abatido”, afirmou.

De acordo com o especialista, Leôncio apresentava múltiplas lesões provocadas por objeto cortante. “Ele apresenta vários sinais de agressão por meio de objeto cortante. Essas agressões foram tão violentas que vários ossos foram cortados, mutilados”, detalhou.

Outro ponto que reforça a crueldade do crime é que o animal ainda estava vivo durante os ataques. “Infelizmente, essas agressões foram realizadas enquanto o animal estava com vida. Isso são sinais claros apresentados na necrópsia por meio de hemorragias”, explicou Bruno.

O elefante-marinho vinha sendo acompanhado por especialistas durante sua passagem por Alagoas e havia conquistado a população. “É muito triste a gente compartilhar essa notícia, uma vez que o Leôncio foi abraçado pela população alagoana”, lamentou.

Ele também destacou que o animal estava em um processo natural e monitorado pela equipe. “O animal estava em processo de troca de pelagem, com comportamento de permanecer em repouso fora da água. A literatura indica que não se deve fazer manejo ou intervenção nesse período, e isso era avaliado diariamente pela equipe veterinária”, disse.

Ainda segundo Bruno, não havia sinais de urgência que justificassem uma intervenção imediata. “Até então, o animal não apresentava nenhum tipo de sinal que precisasse de uma intervenção. Estávamos aguardando a troca de pelo para avaliar a necessidade de manejo”, acrescentou.

A equipe chegou a preparar toda a estrutura necessária para uma possível captura e cuidado do animal, mas não houve tempo. “Produzimos todo o material de contenção, captura e transporte, mas infelizmente o animal foi abatido antes de conseguirmos realizar qualquer ação”, afirmou.

O caso ocorreu dentro de uma unidade de conservação federal. O laudo será encaminhado às autoridades. “O relatório da necrópsia será protocolado no Ministério Público. Não compete a nós investigar, mas iremos subsidiar os órgãos com o máximo de informações para que o responsável seja identificado e punido”, concluiu.

Veja o vídeo: