Justiça

Caso Rhavy: padrasto admite tráfico de drogas, nega crime e acusa mãe do menino

Manoel Pedro Tavares de Souza negou ter coragem de machucar uma criança e afirmou que dormia quando o menino teria ficado sob seus cuidados

Por Giulianna Albuquerque 19/10/2026 15h03 - Atualizado em 19/10/2026 16h04
Caso Rhavy: padrasto admite tráfico de drogas, nega crime e acusa mãe do menino
Manoel Pedro Tavares de Souza - Foto: Anderson Macena / Ascom MP

O padrasto de Rhavy Abraão Alves de Lima, Manoel Pedro Tavares de Souza, admitiu que traficava drogas na região onde morava durante depoimento no júri popular realizado nesta segunda-feira (19), em Maceió. Réu pela morte do menino de dois anos, encontrado com sinais de violência em maio de 2025, ele negou ter cometido o crime e atribuiu a responsabilidade à mãe da criança, Nicole Maria de Lima Braga.

Ao ser questionado pelo juiz Geraldo Amorim sobre sua ocupação na época dos fatos, Manoel afirmou que não trabalhava formalmente. “Pra ser sincero ao senhor, eu não trabalhava, eu era traficante na área. É vergonhoso pra mim, mas é a verdade e eu não vou negar aqui”, declarou. Perguntado se continuava usando drogas, respondeu que não, porque estava preso.

Durante o interrogatório, o réu também negou que teria coragem de agredir uma criança. “Senhor, eu nunca ia ter essa coragem de fazer nada com uma criança, eu sou um homem”, afirmou. Em seguida, apontou a ex-companheira como responsável pela morte do menino.

Manoel relatou que, no dia em que Rhavy morreu, Nicole teria saído para trabalhar, enquanto as crianças ficaram em casa com ele e a mãe dela, avó dos meninos. Segundo o réu, ele estava dormindo e não sabia que a criança havia sido deixada no quarto onde estava.

"Eu era traficante, mas essas mãos aqui nunca matariam uma criança, até porque nesse meio não é perdoado. Quero que a Justiça seja feita, mas de verdade e condene quem realmente fez isso com a criança. Eu quando era menor fui acusado de tentativa de homicídio, fui absolvido, eu andava armado, eu assumo os meus erros", concluiu.

Noite anterior à morte

O padrasto também detalhou como foi a noite anterior à morte da criança. De acordo com ele, os dois começaram a beber por volta das 14h e, aproximadamente às 20h, ele foi dormir porque não aguentava mais.

Manoel afirmou ainda que um homem identificado como Williams chegou à residência, comprou drogas e foi embora. Segundo o depoimento, Nicole teria permanecido acordada para dar banho nas crianças e arrumar a casa, já que o filho mais velho teria aula no dia seguinte.

Durante o julgamento, o réu também contestou a versão da ex-sogra sobre uma suposta situação envolvendo cola e confirmou que ele e Nicole publicaram Stories nas redes sociais em que apareciam fazendo uso de substâncias. Segundo ele, as imagens foram feitas com um aplicativo que criava um efeito visual semelhante ao de uma boate.

Julgamento


Manoel Pedro Tavares de Souza e Nicole Maria de Lima Braga respondem pela morte de Rhavy Abraão Alves de Lima, encontrado sem sinais vitais em uma residência no povoado Boca do Rio, na região de Garça Torta, em Maceió, em maio de 2025.

Na ocasião, a mãe da criança teria abordado uma viatura da Polícia Militar e pedido socorro para o filho. Os policiais foram até a residência e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que confirmou a morte e identificou múltiplos hematomas no corpo do menino.

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL) busca a condenação dos dois réus por homicídio qualificado, com três qualificadoras: motivo do crime, emprego de meio cruel e uso de recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima.