Relação entre Mídia e Judiciário é discutida em Congresso Brasileiro
Debate ocorreu na manhã desta sexta-feira (25), durante o evento que acontece no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso
Direito à informação, liberdade de imprensa, destaque da Justiça nos veículos de comunicação e uma relação harmoniosa entre a Mídia e o Judiciário para o fortalecimento da cidadania foram temas debatidos por magistrados, jornalistas e outros participantes, na manhã desta sexta-feira (25), durante o XXIII Congresso Brasileiro de Magistrados, no painel “A Mídia e o Judiciário”.
José Manuel Lopes Barata, vice-presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), foi um dos palestrantes do painel e destacou a relação da Mídia com o Judiciário e suas experiências na Justiça de Lisboa, em Portugal. Durante a discussão, ele falou sobre a liberdade de imprensa, de expressão e da informação, do direito do acesso às fontes, da proteção do sigilo profissional e a relação de todos esses elementos com os princípios que garantem os valores da Justiça.
Para Luís Claudio Costa, presidente da Rede Record, é fundamental que os veículos de Comunicação estejam junto ao Poder Judiciário para que haja democracia. Ele ressaltou também a união dos órgãos de comunicação com a magistratura brasileira na discussão desse tema como um momento histórico a ser comemorado.
“Essa relação é um dos pilares da cidadania. O cidadão só é pleno quando tem acesso à informação. E nós que somos os veículos de comunicação, a imprensa em geral, somos o caminho da comunicação entre o Poder Judiciário e o cidadão comum. Quanto mais aproximarmos a imprensa do Poder Judiciário, mais informação estamos garantindo para o cidadão”, disse o presidente da Record.
Interesse da sociedade com assuntos da Justiça
O presidente da RedeTV, Amilcare Dallevo, abordou a integração dessas instituições, tendo em vista os pontos em comum existentes, como a transparência, a credibilidade, a imparcialidade e a prestação de serviço para sociedade.
“Cada vez mais a população está atenta ao Judiciário. Antigamente, ninguém falava de prisão em segunda instância, de STF, STJ, e hoje todo mundo sabe. O brasileiro está dando mais valor à política e à justiça e isso é super importante. A mídia tem um papel fundamental na apuração, na credibilidade e o Judiciário também”, relatou.
A juíza Karen Francis Schubert Reimer, diretora de comunicação institucional da Associação dos Magistrados Brasileiros explicou que uma relação direta do Judiciário com a mídia traz informações que condizem com a realidade.
“Historicamente, o Poder Judiciário sempre se manteve afastado da mídia e da opinião pública e estamos construindo agora uma relação de seriedade, profissionalismo com a mídia para que a gente possa levar a concretização, os resultados do nosso trabalho para a sociedade, mostrar principalmente o papel que o Judiciário exerce na sociedade de hoje, a importância da realização da justiça e das garantias que o Poder Judiciário traz ao cidadão”, contou a presidente da mesa.
Harmonia entre as duas Instituições
O juiz Geneir Marques, vice-presidente da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis), assistiu às palestras e disse que o tema é interessante por sua relevância no cenário atual em que vivem tanto a Justiça, como os meios de comunicação.
“Nós do Judiciário, por vezes, temos a impressão de que a noticia não é passada de maneira bastante fiel de acordo com a decisão, e imaginamos que seja por um deslize ou talvez por uma questão de audiência. E eu pude refletir bastante ouvindo os jornalistas que, às vezes, é por falta de conhecimento e do uso exagerado de expressões próprias do ramo do Direito, que acabam dificultando a compreensão dos profissionais da imprensa”, comentou o magistrado.
XXIII Congresso Brasileiro de Magistrados
Com o tema “A politização do Judiciário ou a judicialização da política?”, o evento teve início na quinta-feira (24) e é promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros, em parceria com a Almagis. O evento, que acontece até sábado (26), no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, conta com a participação de mais de 1.500 magistrados de todas as áreas da Justiça brasileira. Outras palestras e a programação completa é possível conferir aqui.
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