Aluno gritou 'o mundo é nosso' antes de esfaquear colega em escola no Rio
Vítima se defendeu colocando o braço no pescoço do agressor, que queria atingir sua barriga
RIO - O jovem de 15 anos que levou uma facada no braço dentro do Ciep Brigadeiro Sergio Carvalho, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, contou que o agressor, de 17 anos, gritou "o mundo é nosso" antes do ataque. Ambos estudavam no colégio, mas não houve nenhuma discussão antes do incidente.
— Eu estava com meus amigos. Ele chegou, gritou "o mundo é nosso" e já tentou me esfaquear — conta o jovem.
O menino se defendeu colocando o braço no pescoço do agressor, que tentou, mas não conseguiu alcançar a barriga da vítima. Na segunda tentativa, o jovem colocou o praço na braço na frente do corpo e levou um corte de 4,5 cm. Ele foi levado para o Hospital municipal Rocha Faria, em Campo Grande, levou quatro pontos e foi liberado no mesmo dia.
— Agora quero voltar às aulas. A vida tem que continuar — conta o jovem.
Fã de Rihanna e Beyoncé, o sonho do menino é ser cantor e dançarino. Neste ano, chegou a ser aprovado para as audições do The Voice Kids, mas não conseguiu pagar pelo transporte e perdeu a chance. O desejo, no entanto, ainda persiste.
— Sou um menino simples, de família simples, que quer ser cantor e dançarino — resume.
Este era o primeiro dia de aula do rapaz na escola. A mãe pediu e a Secretaria estadual de Educação deve transferí-lo para outra unidade. O agressor já estudava lá. Professores contam que o rapaz não assistia às aulas e ficava muito tempo pelo pátio. No momento do ataque, eles tinham acabado de chegar.
— Ele me disse que queria se matar, mas não tinha coragem. O que ele queria era estar em uma situação limite, encurralado pela polícia, para não ter outra opção a não ser tirar a vida — conta o delegado Luís Mauricio Armond Campos, titular da 35ª DP (Campo Grande).
A família alegou à polícia que o rapaz sofre de distúrbios psiquiátricos e toma remédios controlados. A mãe do rapaz, muito abalada, levou laudos da situação do menino. Ele foi encaminhado para a Delegacia de Proteção do Adolescente (DPCA). Um juiz decidirá se ele será internado ou será liberado.
O rapaz contou ao delegado Armond que frequentava os mesmos chats na internet que os dos jovens responsáveis pelo massacre que terminou com 10 mortos, incluindo os próprios assassinos, num colégio estadual em Suzano (SP). No entanto, ele negou que tenha sido influenciado pelo que aconteceu em São Paulo.
O Secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, esteve o tempo todo na delegacia com o aluno ferido e depois levou a família até em casa. Ele afirmou que entrou em contato com o governador Wilson Witzel, pedindo uma reunião com a Polícia Militar para acelerar a implantação do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) em 40 escolas. Esse projeto prevê que PMs recebam para trabalhar no seu período de folga em outros órgãos.
O Ciep Brigadeiro Sergio Carvalho, assim como o restante das escolas da rede, sofre com a falta de profissionais de apoio, como porteiros. Os serventes acumulam a função, abrindo e fechando o portão no momento da entrada e da saída dos alunos. Na maior parte do tempo, a entrada da escola fica trancada.
Hoje, já estava programado para acontecer no Ciep um evento sobre violência e a Lei Maria da Penha. A ação faz parte de um programa do Ministério Público em parceria com a Secretaria estadual de Educação, com visitas às escolas para falar sobre violência.
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