Com crise hídrica, Aneel mantém em julho bandeira vermelha 2, a mais cara
A agência ajustou a bandeira tarifária para a mais alta em junho. Em maio, os consumidores ainda contavam com a bandeira vermelha 1
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (28) que vai manter a bandeira vermelha 2 no mês de julho, em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas.
A bandeira vermelha 2 é a mais cara das tarifas extras, e representa atualmente uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos. No entanto, esse valor irá mudar, segundo a agência, que vai divulgar atualização na próxima terça-feira, dia 29, excepcionalmente.
A mudança vem num momento em que os principais reservatórios de água no país estão num nível crítico, devido à falta de chuvas. Esse cenário faz com que o governo tenha que recorrer a usinas térmicas, que têm um custo maior de geração. O custo extra é repassado aos consumidores finais por meio da mudança da bandeira tarifária.
A agência ajustou a bandeira tarifária para a mais alta em junho. Em maio, os consumidores ainda contavam com a bandeira vermelha 1.
"Em junho, as afluências nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN) estiveram entre as mais críticas do histórico. Julho inicia-se com mesma perspectiva hidrológica desfavorável, com os principais reservatórios do SIN em níveis consideravelmente baixos para essa época do ano, o que sinaliza horizonte com reduzida capacidade de produção hidrelétrica e elevada necessidade de acionamento de recursos termelétricos", diz a agência em nota.
Tarifa deve subir mais de 20%
Embora o novo reajuste ainda não tenha sido divulgado pela Aneel, o diretor-geral da agência, André Pepitone, Aneel, adiantou na semana passada que o valor deve ser maior do que o previsto na consulta pública apresentada em março.
Na ocasião, a proposta era elevar a cobrança de 100 kWh na bandeira vermelha 2 para R$ 7,571. Ou seja, se fosse mantido esse valor, o aumento seria de 20%. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e repercutida pela comentarista de economia da CNN Thaís Herédia.
"Certamente, a gente já pode adiantar aqui nessa comissão que não tem o valor final, mas digo às vossas excelências que será um valor bem maior do que os R$ 6,24. Tivemos uma audiência pública que durou 30 dias e apresentou o valor de R$ 7 e alguns centavos, mas com certeza esse valor [final] ainda deve superar um pouco os R$ 7 [e alguns centavos], [daí os] mais de 20% [de alta]", afirmou.
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