Kirchner agradece visita de Lula: ‘Mais que um gesto pessoal, um ato político de solidariedade’
Ex-presidente argentina está em prisão domiciliar
A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner agradeceu nesta quinta-feira (3) a visita feita a ela pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Buenos Aires, onde está detida em prisão domiciliar desde junho. Pelas redes sociais, Kirchner alegou ser vítima de lawfare, termo usado para se referir ao uso e manipulação do sistema jurídico e de leis para perseguição de um oponente. Uma das principais vozes de oposição na Argentina, ela também aproveitou para criticar o atual presidente do país, o ultraliberal Javier Milei.
“Lula também foi perseguido, usaram a guerra jurídica [lawfare] contra ele, chegando a prendê-lo, e tentaram silenciá-lo. Não conseguiram. Ele voltou com o voto do povo brasileiro e de cabeça erguida. Por isso, hoje, sua visita foi muito mais do que um gesto pessoal: foi um ato político de solidariedade”, escreveu a argentina.
À época das investigações da operação Lava Jato e da prisão em Curitiba (PR), entre abril de 2018 e novembro de 2019, Lula também alegava ser vitíma de lawfare.
Assim como a ex-presidente, o brasileiro compartilhou o encontro pelas redes sociais. O petista destacou ter “um carinho e afeto de amigos” e declarou que ambos são “companheiros de campo político e de ideais de justiça social e combate às desigualdades.”
“Fiquei muito feliz em revê-la e encontrá-la tão bem, com força e gana de luta”, escreveu Lula.
Kirchner foi condenada a seis anos de prisão por irregularidades em contratos de obras rodoviárias firmados enquanto presidiu a Argentina, entre 2007 e 2015. Peronista, ela é aliada histórica de Lula e do PT.
O brasileiro foi ao país vizinho para participar, nesta quinta (3), da 66ª úpula de chefes de Estado do Mercosul. Na reunião, o petista recebeu de Milei a presidência rotativa do bolo sul-americano.
Foi a primeira visita de Lula à Argentina desde a posse do ultraliberal, em dezembro de 2023. Há uma distância política entre os dois, e não houve encontro bilateral fechado, como costuma ocorrer em compromissos internacionais desse porte.
A visita de Lula a Kirchner, autorizada pela Justiça argentina nessa quarta (2), ocorreu após a cúpula do Mercosul.
Condenação
Em junho deste ano, a Suprema Corte de Justiça da Argentina determinou a prisão da ex-presidente, após os três juízes do Tribunal Oral Federal nº 2 rejeitarem por unanimidade um recurso de anulação da condenação.
Por ter 72 anos, a Justiça determinou que ela cumprisse a pena em regime de prisão domiciliar. Além da condenação, Kirchner não pode ocupar cargos públicos.
À época da decisão, Lula manifestou solidariedade à ex-presidente pelas redes sociais.
“Telefonei hoje no final da tarde para a companheira Cristina Kirchner e manifestei toda a minha solidariedade. Falei da importância de que se mantenha firme neste momento difícil. Notei, com satisfação, a maneira serena e determinada com que Cristina encara essa situação adversa e o quanto está determinada a seguir lutando”, escreveu o brasileiro, em 11 de junho deste ano.
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