IMA multa empresas por danos ambientais perto do berçário de peixes-bois em Porto de Pedras
Fiscalização no município resultou em multas que somam R$ 368 mil
O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) informou nesta quarta-feira (3) que autuou dois empreendimentos em Porto de Pedras, em região próxima ao Rio Tatuamunha, conhecido como berçário natural dos peixes-bois-marinhos. A ação teve como objetivo coibir práticas irregulares e proteger os ecossistemas sensíveis do estado de Alagoas. O recinto de aclimatização de peixes-bois marinhos foi temporariamente desativado no dia 26 de agosto no município do Litoral Norte após a morte de dois animais.
Durante a fiscalização, foram constatados o lançamento de efluentes sanitários diretamente no mangue, a contaminação do solo por combustíveis e lubrificantes, a supressão de vegetação protegida por meio de aterramento de áreas de mangue, resíduos de concreto despejados no solo, o armazenamento irregular de materiais sem contenção ou drenagem adequada e a utilização de cinco poços artesianos, dos quais apenas um possuía outorga.

Diante das infrações, as equipes determinaram o embargo imediato das atividades do empreendimento imobiliário e da usina de concretagem e aplicaram multas que somam R$ 368.015,00.
O órgão destaca o rigor da fiscalização para garantir a preservação de ecossistemas sensíveis, reforçando que a biodiversidade é um compromisso que norteia todas as ações do IMA. Atividades irregulares não podem comprometer áreas como o manguezal e o Rio Tatuamunha, fundamentais para a manutenção da vida silvestre e, em especial, para a proteção do peixe-boi marinho.

De acordo com o IMA, as irregularidades constatadas trouxeram sérios danos ao rio Tatuamunha, um dos berços de conservação do peixe-boi em Alagoas. Segundo os técnicos que estiveram no local, há indícios de que essas práticas irregulares também tenham contribuído para as recentes mortes registradas desses animais, o que acende um alerta ainda maior sobre a necessidade de fiscalização e cumprimento da legislação ambiental.
A iniciativa atende à solicitação da Associação Peixe-Boi e reforça a investigação das causas das mortes dos animais, a avaliação das possíveis fontes de poluição no Rio Tatuamunha e a adoção de medidas voltadas à proteção dos peixes-bois e à preservação do ecossistema local.
Peixes-bois mortos
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os peixes-bois Netuno e Paty vieram a óbito no recinto de Porto de Pedras e um terceiro animal chamado Assú, apresentou um quadro clínico grave. Ele precisou transferido para a base de Itamaracá, onde está recebendo cuidados intensivos.

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