Lula embarca hoje para a Ásia; há expectativa de encontro com Trump
Planalto vê disposição das duas partes para reunião bilateral acontecer
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta terça-feira (21) para uma viagem à Indonésia e à Malásia, onde vai participar da reunião da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Há a expectativa de que o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenham um encontro reservado durante a cúpula.
Segundo auxiliares do presidente Lula, há disposição das duas partes para que a reunião presencial aconteça na Malásia. As equipes estão trabalhando para incluir o compromisso nas agendas oficiais.
O Itamaraty separou parte do domingo (26) para que o presidente Lula realize reuniões bilaterais. Até a manhã desta terça-feira (21), estava confirmado apenas um encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi, da Índia.
A equipe do petista avalia que o encontro entre o presidente brasileiro e o presidente norte-americano no país asiático só depende de um "alinhamento de agendas". Se de fato ocorrer, essa será a primeira reunião formal presencial entre Lula e Trump desde o início da crise do tarifaço.
Os dois chefes de Estado conversaram por telefone no início do mês por cerca de 30 minutos.
Antes, os dois tiveram um rápido encontro nos corredores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro. Na ocasião, Trump disse que teve "uma química excelente" com o presidente brasileiro, "que pareceu um cara muito agradável".
'Reorganizar a relação'
A avaliação no Palácio do Planalto é que um encontro presencial entre os dois líderes, neste momento, leva as discussões para "um outro patamar" e é um passo importante para "reorganizar a relação entre Trump e Lula e a pauta entre os dois países", após meses de tensão.
O Planalto entende que a relação está destravada, principalmente após a reunião "muito positiva" entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.
Em julho, Trump anunciou tarifas de 50% a produtos brasileiros importados pelos EUA. Na ocasião, ele justificou a medida, em parte, pelo que classificou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida entrou em vigor na primeira semana de agosto.
No telefonema no início do mês, Lula pediu para que o líder norte-americano revogasse o tarifaço. O apelo deve ser reforçado numa eventual conversa presencial entre os dois. Também devem ser pauta da conversa as medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras. Auxiliares de Lula não descartam que o presidente brasileiro aproveite a ocasião para falar também sobre as investidas de Trump contra Venezuela e Colômbia.
Lula já deixou claro, e deve seguir dizendo, que sua posição é contrária a qualquer tipo de tentativa de intervenção em países da América do Sul, como tem sinalizado o presidente dos Estados Unidos.
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