Aécio reassume presidência do PSDB com desafio para 2026 de garantir tempo de TV
Deputado chega ao comando de legenda tucana oito anos após deixar o cargo
O deputado Aécio Neves (MG) reassumiu a presidência do PSDB, nesta quinta-feira (27), com o desafio de melhorar o desempenho do partido para as eleições de 2026.
A recondução ao comando da legenda, após oito anos, foi confirmada em uma cerimônia em Brasília, em transição feita pelo agora ex-presidente, Marconi Perillo. Em discurso, o tucano buscou exaltar a trajetória da legenda e disse que o partido é importante frente à polarização.
“Não há arrependimento nenhum, pois somos o partido mais coerente do país. Não tivemos de um lado nem de outro por conta de benesses eleitorais”, disse. As colocações não citaram o desafio frente a cláusula de barreira, que prevê mínimos eleitorais para que o PSDB siga com acesso ao fundo partidário e tenha acesso ao tempo de TV.
Ao assumir o cargo, Aécio exaltou a história da legenda, com destaque a trajetória do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele também afirmou que o país enfrenta um momento de “obscurantismo” político e citou otimismo.
“Fomos todos atropelados pela tragédia da polarização ideológica que se abateu ao Brasil. Essa polarização, nos últimos anos, sequestrou de forma impiedosa a racionalidade e equilíbrio nas discussões sobre o Brasil”, afirmou Aécio. O novo presidente ainda retomou críticas ao PT.
A cerimônia contou com a presença do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). “Não tenho dúvidas que a bancada do PSDB aumentará nas eleições do ano que vem”, afirmou o parlamentar.
Outros representantes, como o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), também foram ao evento. A presença sucede uma série de conversas nos bastidores para uma possível federação do partido a outras legendas.
Cláusula de Barreira
A lei eleitoral prevê um mínimo de deputados eleitos para garantir que um partido tenha acesso ao fundo partidário, com recursos para manutenção das atividades políticas, além de garantia de tempo na TV durante campanhas eleitorais.
A expectativa da gestão de Aécio, que seguirá até 2027, se volta para garantir a eleição 13 deputados federais. O partido conta exatamente com esse número de parlamentares na Câmara.
Outra alternativa seria garantir 2,5% dos votos válidos de 2026, com capilaridade em ao menos nove estados. A representação entre unidades da federação também é necessária no caso de deputados federais, para garantir o mínimo até as próximas eleições.
Polêmicas e corrupção
Aécio concorreu às eleições de 2014, tendo ido ao segundo turno contra a eleita naquele ano, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Anos depois, em 2017, ele foi investigado por corrupção, e acabou deixando o partido para se defender no escândalo ligado à JBS.
A acusação era de que ele recebeu propina, na faixa de R$ 2 milhões, de Joesley Batista. Aécio acabou absolvido pela Justiça Federal. O caso foi posteriormente arquivado no STF (Supremo Tribunal Federal).
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