Justiça

Daniela Mercury vira ré por show pró-Lula pago com verba pública

Justiça investiga se evento de 1º de maio de 2022 envolveu uso indevido de recursos públicos da Prefeitura de São Paulo

Por Diário do Poder 05/05/2026 15h03
Daniela Mercury vira ré por show pró-Lula pago com verba pública
Daniela Mercury demonstrou apoio a Lula durante show pago pela Prefeitura de São Paulo, em 2022. - Foto: Arquivo/YouTube/PT

Uma apresentação que custou R$ 100 mil aos cofres públicos da Prefeitura de São Paulo, no 1º de Maio de 2022, foi denunciado como showmício a favor da eleição presidencial de Lula (PT) levou a cantora Daniela Mercury a se tornar ré em processo que suspeita de ilegalidade no gasto público no show na Praça Charles Miller. A informação foi divulgada pela coluna Daniel Nascimento, do jornal O Dia.

A ação popular ajuizada pelo deputado estadual Gil Diniz (PL) na 1ª Vara da Fazenda Pública acusa a Prefeitura São Paulo de financiar o evento de caráter político-partidário, no mesmo mês do falecimento do então prefeito Bruno Covas (PSDB), cujo vice é o atual prefeito Ricardo Nunes.

“A Prefeitura utilizou R$ 170.000,00 de verbas públicas para financiar um evento político-partidário de apoio à candidatura do ex-presidente Lula”, diz um trecho da petição do parlamentar, que aponta o episódio como uma afronta à moralidade administrativa e improbidade.

Além dos R$ 100 mil para Mercury, a Prefeitura destinou R$ 28 mil ao rapper Dexter; R$ 12 mil ao DJ KLJay, e R$ 30 mil a Mateo Piraces, cujos contratos foram publicados no Diário Oficial de 3 de maio do ano eleitoral de 202

Durante o show, a estrela baiana do axé music foi criticada por puxar coro de apoio ao pré-candidato petista, com falas e o ato de expor bandeira com a imagem do político que liderava a oposição ao projeto de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro.

Lula participou do evento organizado pelas centrais sindicais, no qual Daniela Mercury chegou a dizer o seguinte, durante seu show: “Quem não votar pra Lula, vai estar votando contra os pretos, contra os pobres, contra os trabalhadores, contra os artistas, contra o país, contra a Amazônia, contra tudo o que lutamos nesse país. Então, é Lula, sim, o Brasil precisa de Lula. Obrigada por se candidatar de novo”.

Outro lado

Segundo o jornal O Dia, a defesa da produtora California, outro alvo da ação, argumentou que não existe irregularidade no contrato e no show. A empresa da qual Daniela Mercury é sócia considerou que a artista não possui relação direta com o Município e a eventual responsabilização não poderia ser atribuída à cantora como pessoa física, porque o contrato foi celebrado com a empresa.

Por isso, pediu a nulidade da intimação da artista, além de considerar que a manifestação de Daniela Mercury é protegida pelo direito constitucional à liberdade de expressão. Além de pedir a improcedência da ação por ausência de ilegalidade, a defesa pediu a condenação do deputado Gil Diniz, autor do processo, acusado pela produtora de ato de censura.

Houve tentativa frustrada de citação de Daniela Mercury para audiência em abril de 2025. E uma carta precatória foi emitida para a Justiça da Bahia dar andamento aos trâmites do processo, ouvindo a artista.

O Diário do Poder confirmou a existência da ação popular que tramita sob processo nº 1024598-70.2022.8.26.0053, na 1ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo. E tentou contato com a artista, mantendo aqui o espaço aberto para sua eventual manifestação sobre o caso.