‘Somos muito grandes’, diz Lula ao dizer que não vai aceitar tratamento dos EUA ao Brasil
Petista argumentou que o Executivo tentou manter o diálogo com os norte-americanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar as ações dos Estados Unidos contra o Brasil e disse que não aceitaria o tratamento do governo norte-americano. Na fala, feita durante a reunião ministerial, o petista argumentou que o Executivo tentou manter o diálogo com os norte-americanos e condenou a forma como soube da taxação.
“A nossa luta é para que o nosso país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes. Nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana”, disse.
O esperado era que Trump telefonasse ou enviasse um comunicado oficial ao governo brasileiro sobre a decisão de taxar os produtos importados. Entretanto, segundo Lula, ele descobriu a sobretaxa por uma publicação no X (antigo Twitter).
O chefe do Executivo comentou, ainda, que foi pego de surpresa com o anúncio do governo dos EUA. Sem citar o nome do senador e pré-candidato, Flávio Bolsonaro, Lula chamou o encontro do parlamentar com Trump de “traição”.
“Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome. Em qualquer outro país do mundo, isso seria chamado de traição da pátria”, disse.
Taxação
Na segunda-feira (1º), os EUA propuseram uma nova tarifa punitiva de 25% sobre diversas importações do Brasil, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal.
Em uma nova medida punitiva, a administração de Trump apresentou uma nova sobretaxa de 12,5% a todos os produtos brasileiros por falha no combate ao trabalho forçado.
Medida anunciada após viagem de Flávio aos EUA
A medida ocorre dias depois de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) falar sobre seu encontro com o presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, que anunciaram que passariam a classificar o PCC e CV como organizações terroristas. No último dia 29, o governo americano confirmou oficialmente a designação.
Nas redes sociais, Flávio celebrou a medida ao compartilhar a publicação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Na postagem, o senador escreveu “Grande dia”, expressão que ficou marcada durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
Houve esforço para evitar a medida por parte do governo brasileiro, que chegou a se reunir com representantes americanos para realizar tratativas sobre o tema. A principal preocupação do Palácio do Planalto envolve questões de soberania nacional e diferenças entre a legislação brasileira e a americana.
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