Joesley Batista depõe durante cerca de 3 horas em Brasília
Empresário é peça-chave em esquema de propinas
Depois de cerca de três horas, terminou na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, o depoimento do executivo do grupo J&F, Joesley Batista. Ele chegou no aeroporto internacional de Brasília em um jatinho particular para prestar depoimento à subprocuradora Cláudia Sampaio.
O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. De acordo com a assessoria da J&F, nenhum deles falará com a imprensa.
Os delatores foram convocados para esclarecer o teor das conversas gravadas em novo áudio entregue à PGR na última semana.
Nos diálogos, os executivos citam políticos, ex-ministros e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles também chegam a afirmar que o ex-procurador Marcelo Miller, que participou do acordo de delação, atuou para beneficiar os executivos.
A PGR suspeita que Miller tenha atuado como agente duplo. O depoimento do ex-procurador está marcado para esta sexta-feira(8).
Após receber os áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar as suspeitas. Uma das possibilidades é que, após ouvir os executivos, Janot suspenda os benefícios da delação premiada.
Entre os principais benefícios, eles não seriam indiciados criminalmente pelos crimes relatados. Janot pode pedir também a prisão dos delatores se entender que eles mentiram na delação. Em coletiva de imprensa no início da semana, Janot afirmou que, mesmo cancelado o acordo, as provas obtidas têm validade.
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