Alagoas teve quase mil mortes violentas no primeiro semestre de 2018
Foram, ao todo, 753 pessoas mortas por homicídio, latrocínio ou lesão corporal seguida de morte
Ao menos 26.126 pessoas foram assassinadas no primeiro semestre deste ano no Brasil. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1. O número de vítimas é ainda maior que esse – isso porque a estatística não comporta os dados totais de três estados (Maranhão, Paraná e Tocantins), que não divulgaram todos os números.
O percentual consolidado até agora contabiliza todos os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, que, juntos, compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais. Houve uma média de 4.350 casos por mês. Em Alagoas, 753 pessoas morreram de forma violenta em 2018, entre os meses de janeiro a junho.
O coronel Lima Júnior, secretário da SSP/AL (Secretaria de Segurança Pública), declarou que o tráfico é um dos maiores responsáveis pelas mortes: “Quem mais mata no Brasil são pessoas ligadas ao tráfico de drogas e pessoas que estão no grande manto das organizações criminosas. Nós temos que trabalhar na origem do estímulo à violência; o fator principal é a impunidade”.
O professor de Ciências Políticas da Ufal, Emerson Oliveira do Nascimento, explicou que a questão da violência em Alagoas é mais política do que cultural. “O perfil do ‘algoz’ em Alagoas é muito parecido: são jovens negros, pobres, pouco escolarizados e da periferia da cidade, matando jovens com perfil socioeconômico muito semelhante. Eu acho que está muito mais relacionado ao fenômeno da desorganização social e à falta de planejamento urbano, e consequentemente falta de gestão política do estado nesses territórios, do que necessariamente de uma cultura de violência”, explica o professor.
Sobre como a violência pode ser combatida, Emerson acredita que o caminho está na prevenção: “O pensamento ostensivo tem um resultado imediato e gera certa sensação de segurança, mas ele não altera a dinâmica comportamental, nem altera as práticas culturais de um determinado território. O que seria mais interessante seria investir em políticas de prevenção, mas isso também precisa de uma transformação cognitiva na cabeça dos gestores, de acreditar que prevenção é mais eficiente, é mais barata, e que tem resultados muito mais sólidos ao longo do tempo do que políticas de repressão”.
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