Para Itamaraty, mandato de Nicolás Maduro é "ilegítimo"
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tomou posse nesta quinta-feira (10) em meio à críticas da comunidade internacional
O Ministério das Relações Exteriores reiterou, nesta quinta-feira (10), que considera o mandato do venezuelano Nicolás Maduro "ilegítimo"."Nicolás Maduro não atendeu às exortações do Grupo de Lima, formuladas na Declaração de 4 de janeiro, e iniciou novo mandato presidencial ilegítimo, o Brasil reafirma seu pleno apoio à Assembleia Nacional, órgão constitucional democraticamente eleito" diz a nota do Itamaraty.
"O Brasil confirma seu compromisso de continuar trabalhando para a restauração da democracia e do estado de direito na Venezuela, e seguirá coordenando-se com todos os atores comprometidos com a liberdade do povo venezuelano."
Maduro foi empossado presidente na manhã desta quinta em Caracas, sob críticas da comunidade internacional. Além do Grupo de Lima, órgão que reúne chanceleres de países das Américas e que afirmou não reconhecer o mandato de Maduro, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução que considerou ilegítimo o segundo mandato do presidente venezuelano.
A resolução, aprovada por 19 votos a favor, seis contra, oito abstenções e uma ausência, declara a "ilegitimidade do novo mandato de Nicolás Maduro que se iniciou em 10 de janeiro". A medida é um chamado à "realização de novas eleições presidenciais com todas as garantias necessárias para um processo livre, justo, transparente e legítimo", estipula a resolução.
Entre os países que votaram a favor estão Argentina, Estados Unidos, Colômbia, Chile, Equador, Canadá e Brasil. Venezuela, Nicarágua, Bolívia e alguns países caribenhos votaram contra, e entre os países que se abstiveram, o México e o Uruguai.
A delegação venezuelana na OEA, liderada pelo embaixador Samuel Moncada, criticou a realização da reunião, classificando a medida como um "ato hostil" e antecipou que o governo de Maduro não reconheceria qualquer medida que nela fosse aprovada.
Maduro venceu em 20 de maio uma eleição boicotada pela oposição. Seu país está mergulhado em uma grave crise política e econômica que obrigou 2,3 milhões de pessoas a deixá-lo desde 2015, segundo a ONU.
Maduro chama Bolsonaro de fascista
Em seu discurso de posse, Nicolás Maduro voltou a chamar o Grupo de Lima, com países da região que não reconhecem o seu novo mandato, como um "cartel" que usa o "direito internacional" contra a Venezuela. "Querem nos dar ordens sobre o que deve ser feito na Venezuela", disse Maduro. Em sua fala, o venezuelano chamou o presidente Jair Bolsonaro de "fascista".
"A direita venezuelana infectou a direita latino-americana com seu fascismo. Vamos ver o caso do Brasil com a ascensão de um fascista como Jair Bolsonaro", disse Maduro.
Em suas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, respondeu ao mandatário Venezuelano. "A depender de quem nos insulte isso pode ser um elogio. Obrigado @NicolasMaduro por tentar ofender Bolsonaro", escreveu o deputado.
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