Com vigília do MST, julgamento de acusados de morte de liderança em Craíbas começa em Maceió
Morte de Luciano Alves, conhecido como “Grilo”, pode ter sido motivada por política
Enquanto um grupo de integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) faz vigília na frente do Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió, o júri popular dos acusados do assassinato de Luciano Alves, o “Grilo”, uma das lideranças do movimento no município de Craíbas, tem início no tribunal.
Os acusados, José Francisco Silva, conhecido como Zé Catu, e os irmãos dele, Francisco Silva e João Olegário dos Santos sentam no banco dos réus 16 anos após o crime, que aconteceu uma estrada vicinal no sítio São Gonçalo, zona rural de Craíbas. Em 2014, o Ministério Público pediu o desaforamento do julgamento do caso, após denúncias que de alguns jurados teriam sido coagidos a mudarem seus votos.
A sessão de hoje está sendo presidida pelo juiz substituto da 9a Vara da Capital, John Silas, e de acordo com informações, a primeira testemunha começou a ser ouvida por volta das 10h da manhã desta quarta (30). Durante o julgamento, serão ouvidos depoimentos de três testemunhas de acusação e duas de defesa, além dos três réus. Além disso, defesa e acusação tem espaço para discorrer sobre suas teses. A expectativa é que até a noite o julgamento seja concluído.
Luciano Alves, conhecido como “Grilo”, era uma proeminente liderança dos sem-terra no município de Craíbas, no começo dos anos 2000. Segundo pessoas próximas, ele tinha intenção de disputar cargo na Câmara de Vereadores em 2004 e havia confidenciado a amigos que poderia ser assassinado por conta de suas posições políticas.
Em 7 de setembro de 2003, Grilo foi até um bar, após convite insistente de Josinaldo José dos Santos, que teria envolvimento com o crime e já falecido. Ao sair do estabelecimento, foi alvejado a tiros por dois homens em uma motocicleta. Conforme o inquérito policial feito na época do crime, Zé Catu, que era vereador e via no militante sem-terra uma ameaça a reeleição dele. Conforme a tese da acusação, o parlamentar seria o mandante do crime, e os irmãos dele estariam envolvidos na execução dos homicídio.
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