Aliança pelo Brasil terá Flávio e Renan Bolsonaro na estrutura do partido
O presidente sai do PSL e cria um novo partido
A Aliança pelo Brasil (APB), lançado extraoficialmente hoje, terá dois dos filhos do presidente da República na estrutura da legenda: o mais velho, senador Flávio Bolsonaro (RJ), 38, será o primeiro vice-presidente do novo partido. Jair Renan, 20, será vogal (membro com direito a voto).
Jair Bolsonaro será o presidente do partido, que ainda precisa colher assinaturas e obter aprovação legal. Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), será o secretário-geral da comissão provisória.
Na cerimônia, o presidente Bolsonaro chamou a primeira-dama Michelle Bolsonaro ao palco e lhe entregou uma aliança como símbolo do novo partido. "Estou me sentindo aqui como o primeiro dia de casado", disse.
Saída do PSL
O presidente Jair Bolsonaro falou hoje sobre a sua saída do PSL durante o lançamento de seu futuro partido, o Aliança pelo Brasil. Ele disse ser agradecido pela acolhida do PSL, mas que surgiram problemas após as eleições.
"Quem podia acreditar que um deputado do baixo clero, com processos, alguns gravíssimos como racismo e crime ambiental - anos depois arquivados -, que respondeu a quase 30 processos de cassação dentro da Câmara, pudesse um dia, sem dinheiro, ter que escolher um partido pequeno, que no primeiro momento foi uma união maravilhosa, mas que depois das eleições problemas apareceram?", disse.
"Mas eu devo a esse partido o meu mandato. Sem tempo de televisão, sem fundo partidário, conseguimos chegar à vitória. Só pode ser uma vontade de Deus", completou.
Programa
Os advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga, responsáveis pelo assessoramento jurídico de Bolsonaro para o futuro partido, leram os principais pontos do programa do Aliança. Eles afirmaram que o estatuto e o código de ética elaborados irão impedir a filiação de pessoas corruptas, como condenados em segunda instância da Justiça por alguns crimes.
Por falta de espaço no auditório onde ocorria o evento, parte dos apoiadores de Bolsonaro acompanhou o evento em um gramado. Eles aplaudiram e gritaram "mito" quando o presidente apareceu no telão. Alguns estavam vestidos de verde e amarelo. Houve ainda quem carregasse uma bandeira de Israel e uma bandeira do Brasil imperial.
Bolsonaro assumirá a presidência da comissão provisória de trabalho do Aliança. Na prática, atuará como presidente do partido a ser criado. Não há impedimento legal para que seja presidente da República e presidente de agremiação política ao mesmo tempo, embora o ex-presidente Michel Temer tenha se licenciado do comando do MDB quando assumiu o Palácio do Planalto.Após o evento principal no auditório, Bolsonaro foi a um palanque montado na área externa. Ele falou apenas que o futuro do Brasil está "em nossas mãos" e repetiu o lema da campanha: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
Depois voltou ao microfone quando questionado sobre o lema do partido. Começou então a gritar "irrúúúú" como um boiadeiro. Ele já havia usado a expressão em uma transmissão ao vivo nas redes sociais.
Apesar do início da coleta de assinaturas para criar o Aliança, muitas pessoas reclamavam que não conseguiam entrar no auditório para assinar a ficha de apoio por não terem a autorização adequada.
Viabilidade do Aliança para eleições de 2020 não é garantida
O PSL conta hoje com 53 dos 513 deputados federais, segunda maior bancada atrás apenas do PT, e três dos 81 senadores.
A reunião para oficializar a decisão de sair do PSL aos aliados e discutir os meios da criação da nova sigla foi em 12 de novembro. Após a desfiliação ser concretizada, Bolsonaro fica sem partido até a criação do Aliança pelo Brasil.
A vontade do grupo pró-Bolsonaro dentro do PSL é que o Aliança pelo Brasil seja lançado até o março do ano que vem para que possam lançar candidatos próprios nas eleições municipais do ano que vem. Estarão em disputa os cargos de prefeitos e vereadores. Caso contrário, só poderão participar das eleições de 2022.
Seguindo a Justiça Eleitoral, o grupo agora precisa colher 500 mil assinaturas em ao menos nove estados e entregá-las ao TSE até março de 2020 para tanto.
Gonzaga disse que o argumento de saída por justa causa "é o que não falta" e não há motivo para que deputados federais percam o mandato caso saiam do PSL. Como exemplo, citou eventual falta de transparência e de boa gestão de recursos públicos, além de representações com os mesmos termos feitas por pessoas supostamente não filiadas ao partido.
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