Ciro Gomes sobre 2022: "Lula prefere o Bolsonaro a mim"
Ciro falou de assuntos do passado, como o mensalão, quando teve participação destacada ao lado do ex-ministro
Ciro Gomes voltou a fazer críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao petismo. Em entrevista à GloboNews, ele afirmou que "Lula prefere o [Jair] Bolsonaro a mim" ao responder se faria campanha pelo petista em 2022 ou se aceitaria seu apoio. O pedetista também analisou o momento do país e o atual governo.
"Não [faria campanha por Lula], pela seguinte circunstância: eu represento uma coisa muito diferente do lulopetismo corrupto. Se ele quiser me apoiar, eu evidentemente não posso ser arrogante porque quero unir o Brasil. Evidentemente que eu não vou dizer 'não aceito'. Eu não tenho esse direito, nem cultivo isso. Eu cultivo muito a humildade. Agora estou só por apreço à sua pergunta dizendo que não faria campanha porque nós representamos valores muito distintos", afirmou. "Isso é completamente impossível, o Lula prefere o Bolsonaro a mim. Já demonstrou isso."
Para Ciro, Lula e Bolsonaro "são as duas faces da mesma moeda". Questionado se o atual presidente é um fruto do petismo, concordou: "Sem dúvida nenhuma." E explicou por que o embate um contra o outro segue sendo mais vantajoso, para os próprios rivais. "Só falta a gente ficar sabendo da ligação entre os dois pra combinar. Se não tem [a ligação], é uma simbiose, é um parasitismo recíproco. Para eles, ficou flagrante, não interessa o Brasil, interessa se aproveitar dessa máquina de poder."
Mensalão e Lava Jato
Ciro falou de assuntos do passado, como o mensalão, quando teve participação destacada ao lado do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos "Toda madrugada, cinco da manhã, a gente acordava e recebia as mídias da Radiobras. Tinha que chegar às 7h da manhã, porque estávamos seguros de que se estava instalando um golpe de estado. Não é que não tenha acontecido (o Mensalão), aconteceu. Mas o Lula tinha todo o direito, àquela altura, de dizer que não sabia."
Ele comparou os momentos do Mensalão e da Lava Jato. "Naquela altura [do Mensalão], sim, eu estava muito perto para ver. Mas é o estilo do Lula, sabe? 'Vai lá e faz'. E aí não quer saber como faz, [não quer saber] o limite e terceiriza as responsabilidades dele, embora se aproveite. Na sequência [na Lava Jato], não. Ele sabia de tudo. Por que eu, Ciro Gomes, disse a ele muitas vezes."
Eleição de 2018
Ciro voltou a trazer o cenário em que se cogitou ser líder de uma chapa à presidência com Fernando Haddad (PT) como vice. A falta de autonomia do candidato derrotado por Bolsonaro, em um partido em que a figura de Lula era mais forte, interferiu na negociação.
"Eu ajudei até o limite das eleições de 2018. Nas eleições eu vi que o projeto e a ambição de poder é o PT e o Brasil que se arrebente. Houve essa conversa com o Haddad. Com testemunhas, eu falei para ele que ele não tinha autonomia nenhuma. A conversa foi para ele ser meu vice, mas eu falei que não tinha a menor chance de acontecer, 'porque você não tem autonomia para isso'".
Sobre sua ida a Paris durante a campanha do segundo turno, afirmou não se arrepender.
"Todo dia eu me celebro aquela decisão. Se eu tive dúvidas? Naquela hora, extremas. Foram 30 anos. Eles não respeitam nada nem ninguém. Foram 30 anos engolindo daquele jeito. 'Ah, deixa, porque é o Lula, porque vamos fazer e tal...'. Ele virou inimputável. Isso é o que corrompeu o Lula. O que corrompeu o Lula é que ninguém fala nada para ele. Eu tenho a alegria e a honra de ter falado tudo isso para ele."
O que dá certo com Bolsonaro
Em meio às críticas, Ciro também afirmou que Bolsonaro tem pontos positivos no governo, citando dois.
"O Bolsonaro está pagando a menor taxa Selic da história. Podia ser mais baixa, mas é a melhor da história. E há uma tendência hoje consistente de queda dos homicídios. E sei que parte disso devemos a uma decisão que o Bolsonaro tomou e que eu reclamava há 20 anos, que o PSDB e o PT não fizeram. Ele transferiu os cabeças do crime organizado para presídios federais e isolou a comunicação. No Ceará, caiu 57%", pontuou o ex-ministro.
"Não quer dizer que não seja um governo trágico. É. Mas eu acompanho o governo número por número. Educação, saúde, segurança, ciência e tecnologia, infraestrutura: são os piores investimentos da história", salientou.
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