Shopping abre cedo para crianças autistas curtirem Papai Noel no silêncio
Pela primeira vez elas ficaram mais de uma hora no local sem se irritar com barulhos e puderam aproveitar os brinquedos
Domingo foi dia das crianças autistas aproveitarem o café da manhã no Shopping Campo Grande com o Papai Noel. Pela primeira vez, elas ficaram mais de uma hora no local conhecendo o espaço e se divertindo nos brinquedos ao silêncio, antes do estabelecimento abrir as portas para o público em geral. O bom velhinho apareceu por lá e no seu sofá, recebeu os pequenos para tirarem fotos.
Os pequenos são do Amar, um grupo de WhatsApp criado em 2015 e organizado por pais para trocarem experiências e planejarem atividades que ajudam no desenvolvimento dos filhos. Ontem o shopping abriu às 8h30 para as crianças curtirem os brinquedos até às 10h, horário de funcionamento do local. Ana Sauter é responsável pelas organizações de atividades na equipe e comenta que sobre a importância do acolhimento da sociedade.
“A inclusão de ambientes públicos na vida das crianças é algo no qual encontramos dificuldades pontuais, independente se tem autismo severo ou mais leve. Existe muito preconceito e podemos observar que hoje a maioria deles não têm uma característica física que define a deficiência, então falamos que o autismo não tem cara”, diz.
Ela é administradora, mãe de uma menina de 11 anos com autismo e relata as dificuldades do dia a dia. “Eles não conseguem esperar, alguns têm receio ao toque, barulho e movimento excessivos. Estão entre eles, então os pais não precisam se preocupar com olhares tortos, julgamentos”, declara Ana Sauter.
Cerca de 40 famílias confirmaram a presença no evento, inclusive Paulo dos Santos que é policial e levou os filhos para brincar no vídeo game. Samuel tem dois anos, foi diagnosticado com autismo bem cedo e os pais iniciaram o tratamento. “É importante saber da deficiência o quanto antes, assim realiza os acompanhamentos adequados e consegue uma melhora no quadro”.
O pai conta que descobriram o autismo de Samuel após reparar que diferente da irmã da mesma idade, ele não falava e nem dava sinais que entendesse o que estava acontecendo ao redor. “O comportamento era diferente, então levamos no neuropediatra que deu o diagnóstico. Agora ele realiza vários acompanhamentos e isso tem ajudado no seu desenvolvimento”, afirma.
Paulo comenta que quando o espaço é aberto, o barulho e até a iluminação incomodam. “É muita informação, então sobrecarrega. Desta vez podemos ficar mais tempo, pois fica brincando e passando a mão na barba do Papai Noel”, relata.
A professora Regina Quintana se mudou para Campo Grande há 8 meses, após descobrir que o filho Arthur de 3 anos sofria do transtorno do espectro autista. “Na época ele tinha 1 ano e 8 meses e tivemos que vir de Bela Vista para proporcionar o tratamento adequado a ele. Tem muita dificuldade de interação e se o lugar tivesse cheio não entrava por conta do barulho. Fica irritado, chora”.
Tem dias difíceis e tranquilos, e assim como Arthur a mãezona também está se adaptando. “Tivemos uma evolução satisfatória, antes ele não se comunicava, hoje já mostra o que quer”, comenta Regina.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
