"Marighella" não é caso isolado, Cultura está sob censura, diz Wagner Moura
"Quando a Ancine é aparelhada pelo bolsonarismo, qualquer pedido com relação a um filme como o Marighella será negado"
"A Ancine [Agência Nacional do Cinema] censurou o filme. É uma censura diferente, que usa instrumentos burocráticos para dificultar produções das quais o governo discorda. Não tenho a menor dúvida de que 'Marighella' não estreou ainda por uma questão política."
O desabafo é de Wagner Moura, diretor do filme que conta os cinco últimos anos de vida do escritor, político e guerrilheiro baiano Carlos Marighella - executado, em 1969, pela ditadura militar. Um dos organizadores da luta armada contra o regime, ele foi considerado seu inimigo número um. Baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães, o filme estreou no Festival de Berlim em fevereiro do ano passado.
Previsto para ser lançado, no último dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, no Brasil, ele foi adiado após a Ancine negar pedido da produtora O2, responsável pelo filme, relativo ao prazo de uma proposta visando a recursos para a distribuição da obra. Para Moura, a negativa e os entraves subsequentes tiveram motivação política.
De acordo com ele, a forma que o governo escolheu para censurar produções artísticas foi "aparelhar" instituições.
Quando a Ancine é aparelhada pelo bolsonarismo, qualquer pedido com relação a um filme como o Marighella será negado.
Ele reclama de boatos de que seu filme não pode estrear por conta do atraso na finalização de um documentário da produtora, também apoiado pela Ancine. De acordo com o diretor, a questão com o outro filme ocorreu em novembro de 2019, enquanto a negativa do pedido relativo ao Marighella veio em agosto.
"No ano em que investiram na destruição do nosso cinema, 'Bacurau' e 'A Vida Invisível' ganharam prêmios no Festival de Cannes e, agora, 'Democracia em Vertigem' foi indicado ao Oscar. Duvido que qualquer um desses filmes conseguisse financiamento através da Ancine hoje", afirma. A razão, segundo ele, não seriam as críticas dos três diretores dessas obras ao governo Bolsonaro, mas a arte em si.
A história comprova que a arte e o pensamento crítico são as primeiras vítimas desse tipo de governo.
Para Wagner Moura, Bolsonaro não entende a cultura como um setor economicamente importante, que gera empregos. Morando em Los Angeles com a família e trabalhando em Hollywood, o ator, que ficou conhecido por filmes e séries como Tropa de Elite e Narcos, acredita que as dificuldades enfrentadas por Marighella não aconteceriam nos Estados Unidos. "Apesar de Trump causar muito estrago, ele não tem o poder de Bolsonaro. Há um jogo democrático que não existe no Brasil", afirma.
Veja também
Últimas notícias
Davi Davino Filho defende maioridade penal aos 14 anos contra aliciamento pelo tráfico
Ceci reúne apoiadores em arrastão na Branca de Atalaia ao lado de Arthur Lira e Alvinho
Rute Nezinho defende fortalecimento da rede de proteção contra a violência infantil
Fabio Costa reforça apoio a JHC e Marina e destaca união para Alagoas vencer
Com a divulgação da Real Time, Marina JHC lidera todos as pesquisas divulgadas nesta semana
Gabi Gonçalves reúne multidão no Clima Bom e destaca ações do mandato
Vídeos e noticias mais lidas
Jovem de 24 anos é baleado na mão e suspeitos fogem em São Sebastião
Ajustes no texto adiam votação da MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas
Prefeitura inscreve para a segunda Consulta Pública do Plano de Mobilidade Urbana
Confira o que abre e fecha em Alagoas no feriado desta quarta-feira (16)
