Pediu para sair? Linguagem confusa indica que Guedes não sabe o que fazer
Paulo Guedes durante visita à Fiesp nesta quinta, 5 de março de 2020
Paulo Guedes, ministro da Economia, já não sabe mais o que diz — e a afirmação traz a sugestão generosa de que, em algum momento, ele, de fato soubesse. O crescimento de 1,1% da economia no ano passado mexeu com seus brios. E ele decidiu encontrar alguns culpados. E, mais uma vez, pôs sua loquacidade agressiva a serviço do próprio ego. Sim, o valente estabeleceu um novo patamar para o dólar: R$ 5.
Em conversa com empresários na Fiesp, disse que a moeda americana pode atingir esse patamar "se muita besteira for feita". Nas suas palavras: "Pode chegar a R$ 5? Ué, Se o presidente pedir para sair, se o presidente do Congresso pedir para sair, se todo mundo pedir para sair... Se todo mundo falar que... Entende? Se tiver... Bom, às vezes, eu faço algumas brincadeiras de professor, e isso vira coisa errada".
Os anacolutos, que são termos sem função sintática clara, e o "cogitus interruptus", que é a incapacidade de concluir um pensamento sem que o foco escape, indicam que o doutor vive uma espécie de tumulto mental. O eixo desapareceu.
Em meio à confusão, sobra a repetição: "pedir para sair". Bem, infelizmente, o presidente da República não será tão generoso com o país. Ao contrário. Ele atua para ficar — e, pelo visto, nem importa tanto o método. Não consta que os respectivos presidentes da Câmara e do Senado estejam pensando em renunciar. Bem, sobrou a evidência de que Guedes flertava, aí sim, com a própria saída. Como burro não é, trata-se de uma ameaça.
Esse tipo de coisa é intolerável na vida pública. Dizer o quê? Crescimento de 1,1%, é bem provável, qualquer um entrega. Para que possa ser mais do que isso, então é preciso trabalhar melhor. E, parece, isso é coisa que ele próprio, e seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, não podem oferecer.
Há, ademais, uma questão de fundo aí. Guedes passou boa parte da vida achando-se um gênio insuperável e incompreendido, embora ninguém à sua volta, entre amigos e inimigos, pensassem o mesmo. Isso foi moldando um temperamento muito particular, que a gente poderia definir como "ressentimento altivo" — ou "altivez ressentida", a depender do aspecto que se queira ressaltar do seu caráter.
Não por acaso, quando critica a economia brasileira, ele não se refere aos últimos 5, 10, 15 anos... Nunca faz por menos de 30. Assim, desde a redemocratização, tudo teria sido apenas uma soma de erros. E, não custa notar, isso inclui o Plano Real. Imaginem aquela fonte de sabedoria reprimida a ver tanta coisa errada sendo feita ao longo dos anos, quando ele, Guedes, tinha a Pedra Filosofal.
Até que apareceu Bolsonaro para dizer: "Você é o único gênio que a economia brasileira produziu em 30 anos". É claro que o autointitulado "Mito" o fez à sua maneira. Não disse: "Você é o meu Gustav Hayek, meu Miton Friedman". Não! Saiu um "Você é meu posto Ipiranga", combinando a metáfora com a complexidade mental do autor. Mas bastava.
E Guedes se viu, então, diante da possibilidade de esculpir o seu próprio Moisés da economia. O resultado é o que se vê aí... Não, ninguém está dizendo que é fácil. Mas, então, cumpre ao ministro ajustar o discurso ou calar-se.
Veja também
Últimas notícias
Guilherme Lopes amplia base e recebe apoio de vereador de Quebrangulo
Estudantes alagoanos brilham em exposições de telas sobre Nise da Silveira no Cine Arte Pajuçara
Grupo de Capoeira Mandingueiros de Penedo celebra 18 anos de atividades
Programa “Esporte para Todos” é lançado com grande participação popular em Palmeira dos Índios
Ex-jogador Raí será palestrante durante Semana do MEI em Penedo
Soldado de Israel faz foto com cigarro na boca de Virgem Maria
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
