Filho diz que idoso com morte suspeita de Covid-19 não teve corpo reconhecido pela família em Arapiraca
Hospital de Emergência do Agreste diz que seguiu os protocolos preconizados pelo Ministério da Saúde
Leôncio Alves de Oliveira, de 71 anos, faleceu com suspeita de Covid-19, nesta sexta-feira (8), no Hospital de Emergência do Agreste em Arapiraca. A família alega que não fez o reconhecimento do corpo. O Hospital diz que seguiu os protocolos preconizados pelo Ministério da Saúde.
De acordo com o filho do idoso, José Claudio Nunes de Oliveira, o hospital não deixou que ele confirmasse se o corpo era do pai. “Hoje pela manhã fui avisado que meu pai entrou em óbito e ao chegar no Hospital o pessoal da assistência social, junto com o administrador da UTI me informaram que simplesmente meu pai entrou em óbito, e ao pedir o reconhecimento, que eu queria ver, que eu acho que é o mínimo que poderia ser feito, porque você num momento desse, de muita dor, você ter um pai, que tanto ama, que se dedicou a vida toda pelos filhos, pela família, é o básico querer ver o seu pai pela última vez, e não me concederam. Disseram que não podia porque já tinha sido envelopado, que são os tramites que a secretaria de saúde solicita e eu tentei conversar, mas não teve êxito, foram rigorosos e falaram que tinha que ser feito dessa forma”.
José Cláudio alega que na quarta-feira (6) ele foi chamado pelo hospital, para ser informado sobre a gravidade de saúde do pai, que estava isolado na UTI, com mais duas pessoas, também suspeitas de Coronavírus, e que caso acontecesse o óbito alguém da família iria reconhecer o corpo. “Eles foram muitos claros ao dizer que em caso do óbito, dos pacientes que estão isolados na UTI 3, e sem o resultado do exame, ainda como suspeitos, não ia poder fazer o velório, não ia poder enterrar no túmulo da família, mas um da família ia ser conduzido para o reconhecimento do corpo, com uma preparação”.
“A gente vendo um pai da gente, que a pessoa tanta ama, e não poder se despedir, sem um velório digno. A dor e a revolta são grandes, principalmente da gente não pode fazer o reconhecimento, com o caixão lacrado e a gente sem saber se realmente é o meu pai”, desabafa.
A família disse ainda que possui três túmulos, dois no povoado Pau D´Arco e um no Pio XII, mas só puderam enterrar o pai no Cemitério Santo Antônio, nas Guaribas. “A gente tentou colocar no túmulo da família, mas fomos informados que não podia, e fica a indignação. As autoridades responsáveis vejam com mais amor e respeito, a gente que somos seres humanos e o mínimo que a gente pode ter é respeito e consideração, como se meu pai, e outros que podem vim, fosse um lixo, colocaram num saco de lixo e jogaram num buraco”.
De acordo com a assessoria do Hospital de Emergência do Agreste, “a unidade hospitalar está seguindo todos os protocolos preconizados pelo Ministério da Saúde. Se o caso foi suspeita ou confirmação de Covid-19, o protocolo é esse mesmo, no país inteiro, infelizmente, e identificação é o primeiro protocolo”.
Ainda, segundo a assessoria, o chefe da UTI Covid-19 afirmou que o hospital seguiu todos os protocolos.
Histórico no paciente
Segundo a família, Leôncio Alves de Oliveira teve um AVC no dia 18 de abril e foi internado no Hospital Regional em Arapiraca, sendo transferido para HGE em Maceió, onde permaneceu por sete dias. Recebeu alta, e voltou a passar mal no dia 27 de abril, quando foi internado no HEA e faleceu nesta sexta-feira (8).
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