Lula anuncia saída de Celso Sabino do Turismo; União Brasil pediu cargo após expulsar ministro
Substituto é Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB); o nome foi confirmado pelo senador Efraim Filho (União-PB), líder do partido
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo ao final da reunião ministerial nesta quarta-feira (17), informaram fontes.
Segundo esses interlocutores, o União Brasil, que indicou Sabino, pediu o cargo após ministro ser expulso de partido.
O indicado para substituir Celso Sabino é Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB). O nome foi confirmado pelo senador Efraim Filho (União-PB), líder do partido.
Damião Feliciano é um dos coordenadores da bancada evangélica e da bancada negra na Câmara. O nome para ocupar a vaga deixada por Sabino também foi negociado com a ala governista do partido.
A reportagem apurou que Gustavo Feliciano foi avalizado pelo presidente do partido, Antônio de Rueda – que havia anunciado o desembarque do partido do governo.
O movimento de colocar um evangélico no cargo é considerado mais um aceno de presidente Lula para esse segmento do eleitorado.
Sabino foi expulso do União Brasil no final do mês depois que dirigentes do partido entenderam que ele cometeu infidelidade partidária ao desrespeitar uma ordem e permanecer — contra a vontade da cúpula da legenda — à frente do ministério.
Segundo auxiliares do presidente Lula, o União pediu ao governo a cadeira do ministério de volta após a decisão de expulsar Sabino. O acordo foi negociado entre o partido e a ala política do Planalto.
A saída de Sabino do governo foi anunciada quando a reunião ministerial na Granja do Torto já havia terminado. Sabino deve sair candidato ao Senado nas eleições do ano que vem.
'Desembarque' do União
Em setembro, o União Brasil aprovou uma resolução exigindo que filiados ao partido deixassem cargos ocupados no governo de Lula.
Segundo o texto da norma, chancelada pela cúpula nacional da sigla, os membros que não abandonassem a gestão Lula poderiam ser punidos disciplinarmente.
Entre as punições previstas no estatuto do partido, está a expulsão. E foi o caso de Sabino, que optou por permanecer no comando do Turismo.
Embora tenha anunciado a medida dura, o partido e deixou brecha para que o partido continue influenciando decisões. A decisão não afetou os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Embora as pastas sejam atribuídas ao partido, eles não são filiados à sigla.
Waldez Góes é ministro desde o início do mandato de Lula. Ele é filiado ao PDT, mas deixou as funções partidárias para assumir o ministério como indicado do União Brasil, mais especificamente de Davi Alcolumbre.
Frederico Siqueira foi nomeado e empossado ministro das Comunicações em abril. Ele assumiu a vaga deixada por Juscelino Filho (União-MA), que deixou o cargo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostas irregularidades em emendas parlamentares.
Após a demissão de Juscelino, o cargo ficou vago por duas semanas. Durante esse período, o União Brasil chegou a indicar Pedro Lucas, deputado pelo Maranhão e líder do partido na Câmara.
Pedro Lucas foi anunciado como futuro ministro, no entanto, dias depois ele pediu desculpas a Lula em uma nota e disse que não aceitaria o convite.
Por trás da recusa, estava uma disputa interna no União Brasil, e o medo do grupo mais próximo a Rueda e a Pedro Lucas de perder influência na bancada da Câmara.
A exigência para que os filiados deixassem a gestão Lula foi aprovada após a veiculação de reportagens que apontam uma suposta conexão entre o presidente nacional do partido, Antonio de Rueda, e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Rueda nega.
Em nota à imprensa na época, o partido indicou enxergar influência do governo federal na divulgação das informações. A sigla afirmou que havia uma "percepção de uso político da estrutura estatal" para desgastar Rueda.
Além disso, o partido se juntou ao PP, cujo presidente é Ciro Nogueira (PP-PI) – ex-ministro e apoiador de Jair Bolsonaro (PL) – em uma federação partidária.
A avaliação interna União Brasil é de que a situação se tornou insustentável após o presidente Lula dizer que o presidente do partido não gosta dele, nem do governo. Lula disse que também não gosta de Rueda.
Após a fala de Lula, Antonio Rueda soltou uma nota rebatendo o presidente.
"A fala do presidente evidencia o valor da nossa independência e a importância de uma força política que não se submete ao governo", dizia trecho da nota.
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