Mortes de trabalhadores: MPT diz que empresa não ofereceu treinamento
Segundo investigação inicial, Engemat não seguiu regras da NR 33 que tratam de trabalho em espaço confinado; inquérito civil deve ser concluído em cerca de 60 dias
Nesta terça-feira (20), o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas informou que a empresa Engenharia de Materiais (Engemat) não ofereceu treinamento específico aos dois trabalhadores que morreram ao tentar desobstruir uma galeria de esgoto na Jatiúca, no mês de janeiro. A informação é baseada em um laudo inicial e foi repassada pela procuradora do MPT Eme Carla Carvalho, durante audiência de instrução para apurar o caso.
O Ministério Público do Trabalho aguarda receber os relatórios de análise de acidente de trabalho do Ministério do Trabalho, Corpo de Bombeiros, Instituto de Criminalística e Centro Municipal de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) para dar andamento às investigações, mas já constatou, inicialmente, que a Engemat não ofereceu às vítimas do acidente a aos demais trabalhadores um treinamento específico para atividades em espaço confinado e deixou de capacitar os empregados para situações de emergência e salvamento, o que afronta a Norma Regulamentadora (NR) 33, do Ministério do Trabalho.
O MPT concedeu prazo de 48 horas para a Engemat comprovar, oficialmente, se a equipe envolvida no acidente recebeu Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A procuradora Eme Carla Carvalho voltou a afirmar que o objetivo do MPT é apurar as causas do acidente e evitar que casos semelhantes aconteçam. “Iremos atuar no sentido de, primeiramente, investigar as causas do acidente, ver em que ponto as medidas de segurança não foram observadas pela empresa e buscar a correção dessas falhas. Há outros trabalhadores que estarão sendo submetidos ao mesmo risco, e nós queremos coibir a repetição de acidentes”, ressaltou.
Durante a audiência, os representantes da Engemat alegaram que não estavam sendo obrigados a seguir a NR 33 porque consideraram que os trabalhadores vítimas do acidente na galeria não estavam laborando em espaço confinado. Questionada, a empresa não soube informar se os trabalhadores passaram por treinamento específico para a atividade.
A Engemat também informou que uma empresa foi contratada para elaborar um laudo sobre as causas do acidente, e se comprometeu a juntar o relatório pericial no prazo de 15 dias. Segundo os representantes da empresa, as indenizações às famílias das vítimas já estão sendo providenciadas e uma Assistente Social foi contratada para prestar auxílio aos familiares.
No dia 8 de março, às 9h, o Ministério Público do Trabalho volta a realizar nova audiência, desta vez para propor à Engemat e à Secretaria de Estado da Infraestrutura - tomadora do serviço - a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para evitar outros acidentes. A Seinfra será notificada novamente, já que não participou da audiência nesta terça-feira.
Veja também
Últimas notícias
Movimentos sociais repudiam indicação do caso Braskem a prêmio do Ministério Público
Crianças autistas seguem sem frequentar as aulas por falta de PAEs em escola bilíngue de Maceió
Filha do ‘mago das chapas’ lança pré-candidatura a deputada federal
Arraiás Comunitários agitam Arapiraca nesta quarta-feira (17); veja a programação
Lula diz que 'nunca foi esquerdista' em conversa no G7
Mais de 54 mil adolescentes alagoanos podem votar pela primeira vez em outubro
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Fernando Barbosa, fundador do tradicional Bar do Caldinho, morre aos 76 anos em Arapiraca
