Casos de desaparecimento crescem em Alagoas e seguem sem respostas
O desaparecimento de pessoas ganha cada vez mais espaço no cenário de violência em Alagoas. A mais nova ‘modalidade’ termina, na maior parte das vezes, com achado de cadáveres em regiões inabitadas. O enfrentamento a crimes com essas características se resume à procura e captura de seus autores.
A série de raptos ou ‘sumiços’, seguidos de assassinato, têm sempre autoria e motivações diferentes. Entre os casos mais recentes - e ainda sem conclusão de inquérito - está o de três jovens, moradores do conjunto Selma Bandeira, no Benedito Bentes. Maxsuelto Fernandes Tenório, de 20 anos; Brunildo Matias Vitor Silva, 22; e Elton Carlos Nascimento Lino, 25, foram vistos pela última vez no dia 30 de março, quando – supostamente – teriam isso até um sítio buscar coco. A Polícia Civil já investiga a hipótese de emboscada articulada pela companheira de uma das vítimas, mas nenhuma linha de investigação deve ser descartada. Objetos pessoais dos jovens foram encontrados e enquanto a família ainda nutre esperanças de achá-los com vida, episódios semelhantes registrados em Alagoas, apontam para o sentido contrário.
À lista de desaparecidos, unem-se os jovens Allan Teófilo, Davi Silva, Nilton Carlos dos Santos (o Brian), Humberto Thiago... Enquanto a polícia investiga, as famílias sofrem sem respostas. Resta o choro e a revolta, as vezes demonstradas por meio de protesto, como no caso dos jovens de Selma Bandeira. Um dia depois do desaparecimento, parentes dos jovens usaram pneus e galhos de árvores para bloquear uma via e cobrar esclarecimento sobre o caso. Nas vozes trêmulas e embargadas, uma mistura de esperança e desânimo marcam um ciclo de convivência que pode ser interrompido de modo permanente.
SSP
Embora o Estado tenha dados robustos que comprovam a redução de mortes violentas em todo o território alagoano, há na sociedade a sensação de que a Secretaria de Segurança Pública ainda não tem a ‘fórmula ideal’ para se antecipar às ações criminosas, sobretudo por não haver conexão entre os casos ou perfil similar entre às vítimas.
Em fevereiro deste ano, a SSP publicou que houve queda de 23% no número de homicídios em Alagoas, segundo dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac). No mês seguinte, o índice foi ainda mais positivo, alcançando 43% de redução. Os casos de desaparecimento sem achado de cadáver não são contabilizados nessa estatística.
O 7Segundos entrou em contato com a SSP para apurar o andamento desses casos. A assessoria de imprensa do órgão informou que eles estão sendo investigados e no momento oportuno a Polícia Civil falará sobre eles. Já as famílias, cobram uma solução.
A SSP tem criado programas de combate à violência, como o Ronda no Bairro e a Patrulha Maria da Penha, ambos implantados pelo Governo do Estado. Programas realizados com verba estadual. Os moradores onde os programas foram implantados aprovaram a ideia. “A gente não pode voltar no tempo e desfazer toda essa maldade que aconteceu nos últimos tempos com esses jovens desaparecidos, por exemplo. Mas, pelo menos é uma esperança de que estarmos mais seguros, ” comenta Maria Cícera, moradora do bairro do Feitosa.
Mas quando o assunto é Segurança Pública - na contramão da lógica - até a atuação efetiva da polícia e com presença massiva de agentes da segurança pode gerar desconforto na população. O ‘suspiro’ de esperança pode soar como uma ameaça para parcela população. “Se um dos jovens desapareceu após uma abordagem policial, o que garante que estamos seguros nas mãos de autoridades que não desvendam casos como esses?” questiona Roberta Santos, moradora do bairro Jacintinho.
A população segue cobrando maior participação e humanização dos trabalhos envolvendo segurança pública. Os pedidos goram em torno de rondas preventivas, reforço de câmeras de segurança, atividades educativas contra práticas criminosas, mas o palavras-chave são “investimento em educação. ”
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