Endividamento cai, mas inadimplência aumenta na capital alagoana
Dados relativos a julho foram divulgados pelo Instituto Fecomércio e demonstram reflexos do desemprego

Apesar da estagnação do endividamento em junho, o mês de julho apresentou queda no endividamento geral dos consumidores da capital de Alagoas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) do Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em termos de variação mensal, houve queda de 2,85%, o equivalente a 195 mil consumidores com dívidas; quatro mil a menos do que em julho. Já na variação anual, os maceioenses estão 5% mais endividados do que em julho de 2018, quando alcançou 184 mil consumidores.
Ainda segundo o levantamento, o volume de endividados com contas em atraso também diminuiu: são 75 mil ante aos 80 mil registrados em junho; uma queda de 6,21%. Em termos anuais, o atraso de contas é 16,95% menor, fato considerado positivo. Em contrapartida, a inadimplência teve elevação de 9% (eram 46 mil consumidores em junho e subiu para 50 mil em julho). Mas, ainda assim, está 2,42% menor do que a registrada no mesmo período de 2018.
“Devemos sempre lembrar que o atraso de contas e a inadimplência são frutos da falta de renda do trabalho. Iniciamos o ano com taxas de desemprego crescente e, apesar de no segundo trimestre deste ano haver queda de 1,3% no desemprego, isso ainda não foi suficiente para equilibrar a balança entre admissões e demissões”, analisa Felippe Rocha, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL).
De acordo com o especialista, uma vez que o desemprego está alto, com um saldo líquido negativo no último trimestre (foram gerados 13.020 empregos, mas houve 15 mil demissões; um saldo negativo de 1.980 postos de trabalho), as pessoas evitam adquirir novas dívidas, gerando a queda no endividamento. Além disso, a depender do tempo desse desemprego, além dessa redução do consumo, surge a insuficiência financeira para quitar débitos anteriores, o que gera a inadimplência. “Mas é bom ressaltar que a inadimplência não alcança só os desempregados. Há pessoas com emprego e renda que, seja por descontrole financeiro ou por imprevistos, acabam engrossando essa fila”, observa Felippe, aconselhando que os consumidores criem o hábito de poupar, ainda que em baixos valores.
A pesquisa do Instituto Fecomércio aponta o cartão de crédito como o principal meio utilizado na aquisição de dívida (89%), seguido pelos carnês de loja (9,6%) e outros instrumentos (5,8%), a exemplo do empréstimo pessoal.
Em relação aos endividados com contas em atraso (cerca de 75 mil), 39% deles indicaram que, em sua residência, outro membro familiar passa pela mesma dificuldade, enquanto 61% disseram que são os únicos da casa a passarem por essa situação. A média de atraso é de 78,7 dias.
No quesito inadimplência, em julho, apenas 6,4% afirmaram que terão condições de quitar integralmente suas dívidas, saindo da situação; 13,6% indicaram sair parcialmente, ou seja, iniciarão tratativas no sentido de refinanciarem seus débitos; e 67,2% permanecerão inadimplentes.
Em termos de endividamento geral, os consumidores têm ficado, em média, cerca de 7,3 meses com uma dívida antes de quitá-la e estão comprometendo cerca de 24,9% da sua renda contraindo dívidas, percentual considerado saudável, pois não ultrapassa o limite ideal de 30%.
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