Tereza Nelma diz que possível candidatura para Maceió não foi discutida
Em entrevista ao 7Segundos, ela falou sobre o cenário da pandemia
A deputada federal Tereza Nelma (PSDB) disse que uma possível candidatura à Prefeitura de Maceió ainda foi não discutida por causa dos problemas de saúde que passou. Ela enfrentou uma série de internamentos e cirurgias após um erro médico em um procedimento realizado em 2019.
Em entrevista ao 7Segundos, a parlamentar também conversou sobre o cenário da covid-19 em Alagoas e falou que quer mais atenção para a população quilombola, indígena e de pessoas com deficiência durante a pandemia.
7Segundos - Como foi voltar a trabalhar depois de quatro meses de internamentos em hospitais e, em seguida, ver a pandemia chegar ao Brasil?
Tereza Nelma – Na realidade, passei mais que quatro meses. Entrei no dia 23 de outubro e saí 20 de março. Vim para casa pós-carnaval, passei uns 12 dias e foi quando tive que voltar para fazer a cirurgia. A minha quarentena está sendo do dia 23 outubro até agora. Saí de uma internação e entrei em outra, só que essa é diferente. A outra eu estava nas mãos dos médicos; aqui também, mas estou com a família para preservar a vida. Estou na Barra de São Miguel e não saio para lugar nenhum.
7Segundos - Você tem retomado as atividades virtualmente. Teve reuniões sobre a situação das pessoas com deficiência durante a pandemia, tanto na questão de saúde, como em garantia de empregos. Qual foi saldo até agora?
Tereza Nelma – As pessoas com deficiência estão no grupo de risco. Além das questões do isolamento, existe a possibilidade de atrofiar e perder coisas que elas tinham adquirido durante a reabilitação. Mais de quatro mil empresas no país já demitiram pessoas com deficiência. Estamos com o Ministério da Economia, eles já fizeram levantamentos e vão começar a fazer a averiguação do porquê da demissão.
7S - Como você avalia Alagoas em relação ao combate do novo coronavírus? E quanto às medidas para população quilombola, indígena e de pessoas com deficiência na pandemia?
TN – Através das entidades como APAAE, Pestalozzi, Adefal e outras estamos acompanhando essas famílias. Agora, a situação dos quilombolas me preocupa bastante. São 70 grupos no estado. Destes, apenas dois têm saneamento, são urbanizados. Os outros não têm água encanada, não têm condições, além da pobreza que é grande. Estou ajudando alguns, articulando. Fiz um ofício para que o governador e o secretário estadual da Saúde dessem prioridade também aos quilombolas.
7S - No geral, você acredita que, na medida do possível, Alagoas tem lidado bem com a pandemia?
TN – Acredito que sim. As dificuldades são inúmeras. Gostaria que houvesse mais investimentos na questão dos leitos e de uma atenção maior para região de Arapiraca. Apesar de estar chegando uma emenda nossa no valor de R$ 4 milhões, para implantação de um hospital de campanha.
7S - Medidas parecidas com o seu Projeto de Lei 2548/2020, que implantaria uma lista única do SUS, deram certo em países como Espanha, França e Austrália.
TN – Sim, tem dado certo em outros países. Uma comissão cientifica já aprovou. Seria para todos. Toda a rede privada e pública funcionaria em uma só lista. No momento que o paciente precisasse, estaria à disposição dele. Está na Câmara. Estamos agora trabalhando para o requerimento de urgência para entrar na pauta.
7S – A maioria dos prefeitos municipais quer o adiamento das eleições e um pleito unificado em 2022.
TN – Eles não querem adiamento. Querem prorrogação de mandato e querem oportunamente que os recursos do Fundo Eleitoral vão para o combate à covid-19. É uma situação do momento que eles estão com essa posição. Em março, eu já dizia que recursos do Fundeb podem ser usando contra a pandemia. Sou contrária à prorrogação de mandato. Isso cheira a época da ditatura em que existiam senadores biônicos. Se houver prorrogação, teríamos prefeitos com mais de dez anos de mandato.
7S - Aliás, sobre isso seu nome já foi cotado para Prefeitura de Maceió. O foco neste ano, além do combate ao coronavírus, é apenas em apoiar sua filha Teca? [Teca Nelma é uma aposta para renovação PSDB na Câmara Municipal]
TN – Não, não. Nós fazemos uma política bem mais ampla. Quanto à minha candidatura à Prefeitura de Maceió, a gente não tem discutido por causa do meu problema de saúde. O PSDB, que assumi agora no município de Maceió, tem como bandeira a renovação, eleger vereadores e prefeitos. Estamos trabalhando e organizando a chapa. Nosso apoio é amplo, não individual.
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