"Tudo que eu queria era saber onde está o corpo do meu filho", desabafa mãe de Jonas Seixas
Acusados de matar servente de pedreiro vão a júri popular nesta quarta-feira (13)
Após quatro anos do assassinato de Jonas Seixas, ainda não se sabe onde o corpo dele foi deixado, e isso vem causando aflição e crises de ansiedade na família da vítima. Em entrevista ao 7Segundos nesta terça-feira (12), Neide Seixas, mãe de Jonas, relatou como tem passado sem respostas e quais as expectativas para o julgamento do caso que vai acontecer nesta quarta (13).
Segundo Neide Seixas, conhecida como dona Neide, foram anos de luta e espera por algum retorno sobre o filho. Ela contou que foi um processo muito difícil e que só agora está tendo a possibilidade de algum desfecho.
"São quatro anos, não quatro dias. É muito difícil, é uma sensação de angústia e medo a todo tempo. Jonas era um bom menino. Tudo que eu queria hoje era saber onde está o corpo do meu filho, até hoje não foi encontrado. Quero saber o motivo dessa barbaridade", lamentou.
Dona Neide também relatou que já ficou nervosa diversas vezes durante esses anos e que muitos problemas que ela tinha, como ansiedade e depressão, se agravaram.
"Para mim é muito frustrante. Fui para o escritório do advogado, estou medicada, passei no psicólogo porque eu não ia ter condições de enfrentar tudo isso. Tenho medo de tudo, é como se eu não estivesse no meu corpo", relatou a mãe de Jonas Seixas.
Jonas deixou dois filhos, Mirian Esmeralda e Jonas Seixas da Silva. De acordo com Neide, os meninos agora estão quase na adolescência e todo dia falam que o pai a qualquer momento estará de volta.
"Os meninos moram com a mãe. Meu neto Jonas é igual ao pai, romântico, carinhoso. Não é fácil, estou puxando forças de onde não sei, mas estou crente de que vai dar tudo certo. Meu filho não tinha inimizade com ninguém, ajudava todo mundo, estava trabalhando para sustentar os filhos. Quero apenas justiça", concluiu.
O julgamento
Cinco policiais militares acusados de envolvimento no sequestro e morte do pedreiro Jonas Seixas vão a júri popular nesta quarta (13). O caso está sob a promotoria do Dr. Vilas Boas.
Fabiano Pituba, Felipe Nunes da Silva, Jardson Chaves Costa, João Victor Carminha Martins de Almeida e Tiago de Asevedo Lima, foram investigados por sequestro, tortura, homicídio e ocultação de cadáver. Eles são os réus do caso.
Sobre o caso
Jonas Seixas, de 33 anos, foi abordado por policiais militares por volta das 15h45 do dia 9 de outubro de 2020, na Travessa São Domingos, localizada na Grota do Cigano, no bairro Jacintinho, em Maceió.
Segundo a família da vítima, os policiais entraram na casa sem mandado de prisão e encontraram apenas a esposa de Jonas, que estava chegando do trabalho.
O servente de pedreiro foi levado pelos militares a uma região da mata, por trás de um motel, no bairro de Jacarecica. De acordo com investigações da Polícia Civil, a vítima foi submetida à tortura, violências e ameaça no local, com a tentativa de obter alguma confissão de Jonas.
O inquérito policial concluiu que Seixas foi assassinado para que o crime de tortura não fosse descoberto e, por isso, ocultaram o cadáver. Até hoje não se sabe onde está o corpo da vítima.

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