Justiça condena a 16 anos de prisão mulher que tentou matar a própria mãe envenenada
Durante a acusação, a ré permaneceu calada, mas disse, em resposta à defensora, que se arrependia do crime

A Justiça de Alagoas decidiu, na tarde desta terça-feira (25), que Suzana Ferreira da Silva, a mulher que tentou matar a própria mãe envenenada no ano de 2021, é culpada pelo crime de tentativa de homicídio. A pena seria de 24 anos, porém, com a confissão da ré, houve redução de 1/3 passando para 16 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado.
Durante o julgamento, familiares da vítima e da ré deram detalhes de como a suspeita agiu para fazer com a mãe consumisse o alimento envenenado. Em seguida, foi a vez da acusação e da defesa se manifestarem para o júri.
O promotor de Justiça, Antônio Vilas Boas, em sua fala, acusou a ré de nunca ter sido uma boa mãe e nem uma boa filha. Ele reforçou a frieza e a capacidade da ré, como filha, tentar matar a mãe, mesmo tendo ela confessado o crime.

Durante a acusação, a ré permaneceu calada, mas disse, em resposta à defensora, que se arrependia do crime. Diante do fato da dela ter optado por ficar em silêncio, o promotor de Justiça exibiu para o júri um vídeo da oitiva da acusada, na delegacia, onde ela foi indagada, na época, sobre o caso dos filhos – que ela também é suspeita de ter os matado. Sobre isso, ela negou ter envolvimento, entretanto, disse que o laudo da causa da morte da primeira criança a morrer foi choque séptico e bronco aspiração.
Já com relação a forma como teria tentado matar a mãe, no vídeo a ré confessa ao delegado o modus operandi: "eu sempre levava suco, açaí pra ela e ela tomava". Embora ela tenha negado, a irmã disse que viu que Suzana havia feito pesquisas na Internet de como envenenar uma pessoa com o produto que ela usou. E confessa que tentou envenenar a mãe na casa da avó materna.
Suzana teria tentado justificar o ato covarde alegando que sua mãe, Silvânia Maria Sabino da Silva, a negligenciava desde criança e não demonstrava afeto por ela. Ao que o promotor de Justiça rebateu: “Além de covarde é mentirosa e ainda denigre a imagem da mãe. Diz que uma mulher em estado vegetativo nunca a amou, que nunca teve carinho de mãe. Mentirosa! Os familiares disseram aqui que a mãe sempre a apoiou”, afirmou Vilas Boas.
Além disso, a acusação expôs que a irmã da ré alegou ter visto pesquisas em seu computador sobre como matar uma pessoa envenenada: “A irmã disse aqui que pegou no computador pesquisas de como envenenar uma pessoa sem deixar vestígios. Ou seja, o crime foi premeditado. Ela mesma disse que costumava dar a mãe açaí e foi em um assalto que ela colocou o veneno", relatou o promotor.
Após o crime bárbaro, a vítima foi socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jacintinho, espumando pela boca e sem conseguir enxergar. O laudo diz que a vítima sofreu uma intoxicação por inseticidas. Atualmente, apesar de ter sobrevivido ao ataque, Silvana vive em estado vegetativo, precisando de suporte médico 24 horas.
O promotor de Justiça rebateu, também, a possível alegação de que a ré poderia ter cometido o ato em decorrência de um surto psicótico: "Ela não tem nenhum problema mental, ela sofre é de analgesia moral. A defesa não me venha aqui dizer que o que ela fez foi num momento de surto, ela premeditou e sempre quis matar a mãe", afirmou o promotor.
E concluiu, direcionando sua fala para a ré: "nos veremos em breve no julgamento da morte dos seus filhos".
A defesa:
A manifestação da defesa de Suzana Ferreira da Silva foi breve e sem grandes pretensões, visto que acusada confessou o crime. A Defensora Pública, Heloísa Bevilaqua da Silveira, disse que buscou garantir o direito de defesa da ré, além de assegurar que não houvesse uma espetaculirazação da sua imagem, por parte da imprensa.
Em seguida, a Defensoria falou que hoje não iria pedir a absolvição da acusada, visto que a mesma confessou ter, de fato, tentar assassinar a mãe.
Ao ler a sentença, diante da ré, o Juiz disse que foi reconhecida a motivação torpe, e que o crime foi praticado contra uma ascendente (parente que veio antes).
O crime ocorreu no ano de 2021, no bairro Jacintinho, em Maceió, mas a suspeita só foi presa em novembro de 2023, quando ela foi até uma delegacia registrar um Boletim de Ocorrência (BO). Na ocasião, a polícia constatou que havia um mandado de prisão contra ela em aberto.
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