‘Ele vai matar’: filho de major que matou criança e ex-cunhado em Maceió havia alertado sobre risco
Agressões anteriores tinham ocorrido no município de Palmeira dos Índios em janeiro deste ano
O major aposentado Pedro Silva, de 58 anos, que morreu nesse sábado (7) após assassinar o filho de 10 anos e o ex-cunhado durante um surto no bairro do Prado, em Maceió, já havia sido denunciado por violência doméstica em janeiro deste ano, no município de Palmeira dos Índios.
O caso veio à tona após o próprio filho, Pablo Victor, procurar a polícia e alertar: “Ele vai matar alguém da nossa família”. Após a denúncia, o major foi preso na madrugada do dia 10 de janeiro por agredir a esposa, Valquíria Pereira, com um soco no rosto.
À época, Valquíria ficou com um hematoma no olho, e Pedro Silva fugiu para Maceió após a agressão. Ele foi localizado e preso com base na Lei Maria da Penha.
Histórico de violência
Pablo relatou que a mãe sofria há quase duas décadas com agressões físicas, psicológicas e ameaças constantes. Ele contou que o pai mantinha armas de fogo em casa, usava os filhos para coagir a mulher, e havia até sequestrado os dois filhos menores, fugindo com eles para Maceió.
“Desde criança tenho medo de denunciá-lo. Ele ameaçou matar minha mãe caso falássemos alguma coisa. Quando eu tinha 10 anos, vi ele colocar fogo nas roupas dela no quintal. Aos 12, encontrei minha mãe ensanguentada e com o cabelo arrancado. Liguei para a polícia, mas nada foi feito por ele ser militar”, relatou Pablo no dia da denúncia.
O jovem pediu que as autoridades não permitissem que o pai fosse solto, justamente por temer que algo pior acontecesse.
Após audiência de custódia no dia 13 de janeiro, o major teve a prisão preventiva decretada por 30 dias e foi encaminhado para custódia administrativa na Academia da Polícia Militar. Ainda assim, ele conseguiu sair do local e cometeu os assassinatos meses depois.
Investigações
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que será aberta investigação para apurar como o major conseguiu deixar a custódia da PM e teve acesso à residência da ex-companheira.
Durante a tragédia, Pedro Silva matou o filho e o ex-cunhado, feriu outras pessoas e foi morto após resistir à rendição diante do Bope.
A Polícia Civil está à frente das investigações e busca esclarecer os detalhes da fuga, do crime e da omissão de medidas que poderiam ter evitado a tragédia.
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