Pousada de R$ 5,7 mi em Porto de Pedras seria principal bem adquirido com recursos desviados na Saúde de AL
De acordo com a Polícia Federal, a pousada foi paga por empresários beneficiados pelo esquema investigado, como forma de repasse de vantagens indevidas aos integrantes do grupo criminoso
Uma pousada localizada no município de Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas, avaliada em R$ 5,7 milhões, está no centro das investigações da Polícia Federal que resultaram no afastamento do secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda. O imóvel, adquirido em 2023, é apontado como um dos principais bens comprados com recursos públicos desviados em um esquema que apura corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento empresarial em contratos milionários da área da saúde.
De acordo com a Polícia Federal, a pousada foi paga por empresários beneficiados pelo esquema investigado na Operação Estágio IV, como forma de repasse de vantagens indevidas aos integrantes do grupo criminoso. As apurações indicam que terceiros foram utilizados para ocultar a real origem do dinheiro e a propriedade dos bens, especialmente imóveis de alto valor, numa tentativa de dissimular o patrimônio obtido de forma ilícita.
Além do imóvel, os investigadores identificaram que parte dos recursos desviados também foi usada para custear viagens internacionais e despesas pessoais dos envolvidos. O dinheiro público teria circulado por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, alcançando contas dos investigados e de pessoas ligadas a eles.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, a operação determinou o sequestro de veículos e imóveis de alto padrão, além da apreensão de grandes quantias em dinheiro vivo. Ao todo, foram encontrados valores como R$ 59.750, 4.145 euros, R$ 125.850, cerca de US$ 24 mil, 6.480 euros, R$ 205 mil, R$ 192.410, R$ 13.500 e aproximadamente R$ 300 mil em joias. Duas armas de fogo também foram apreendidas durante as buscas.
A investigação aponta que o esquema favoreceu grupos empresariais que mantinham contratos com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), resultando na liberação de recursos públicos em troca de pagamentos ilícitos. Parte desses contratos, segundo a PF, envolve valores que se aproximam de R$ 100 milhões, incluindo contratos emergenciais firmados entre 2023 e 2025.
Como consequência da operação, o governador Paulo Dantas determinou o afastamento do secretário de Saúde por 180 dias e a criação de uma comissão especial para acompanhar as investigações, formada pelo Gabinete Civil, Controladoria-Geral do Estado e Procuradoria-Geral do Estado. O governo estadual informou, em nota, que colabora integralmente com os órgãos de investigação e que os serviços da saúde seguem funcionando normalmente.
As investigações seguem em andamento e apuram, além da aquisição da pousada, indícios de fraudes em ressarcimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), que podem ultrapassar R$ 18 milhões. A Polícia Federal continua analisando a movimentação financeira dos envolvidos e a origem dos bens adquiridos durante o período investigado.
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