PT é o único grande partido a não assinar acordo contra fake news
Um mês e meio depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elaborar um acordo com os partidos contra a disseminação de notícias falsas na internet - as chamadas fake news -, o PT é a única grande sigla que ainda não subscreveu o documento. Em nota, a assessoria da legenda afirmou que espera da Justiça Eleitoral o cumprimento da Constituição, "sem depender de 'termo de compromisso'".
Apesar de não pactuar o acordo, o PT costuma usar o conceito de fake news para se defender de supostos ataques na internet. Em exemplo recente, o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE), reclamou que parlamentares de direita haviam "caído" em armadilha ao espalhar a informação falsa de que a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR), havia incitado o terrorismo ao dar entrevista para a emissora árabe Al Jazeera.
O acordo está disponível para assinaturas desde o dia 5 de junho, quando foi firmado entre o presidente da Corte eleitoral, ministro Luiz Fux, e representantes de dez agremiações. De lá para cá, outras 19 se comprometeram em manter, na internet, um ambiente eleitoral imune à proliferação de fake news - notícias inventadas para viralizar e influenciar na decisão dos eleitores.
Crítico das notícias falsas em seus discursos, o PT está entre os poucos partidos que não assinaram o termo. Também estão de fora o PCO, o Pode, o PMB, o PSTU e o PTC - todos foram contatados pelo Valor por meio dos emails disponibilizados no cadastro eleitoral, mas nenhum retornou com a justificativa.
No documento, os signatários se comprometem a colaborar com o tribunal no sentido de prezar pela "higidez informacional, de sorte a reprovar qualquer prática referente à utilização de conteúdo falso no próximo pleito". A campanha eleitoral começa em 16 de agosto.
O Valor apurou que o diretório nacional do PT realizou várias reuniões para debater o tema e acabou decidindo não participar do acordo. Na visão do secretário de comunicação do PT, Carlos Árabe, não há motivos para subscrever o manifesto: "Não está clara a função desse documento. Os termos deste acordo são tarefas constitucionais da Justiça Eleitoral", disse. Segundo outro dirigente petista, o TSE estaria repassando para os partidos a sua responsabilidade de fiscalização. Em nota, a sigla afirmou que "o PT é o partido que mais se empenha no combate às notícias falsas, porque é alvo de mentiras na imprensa desde a sua fundação e de forma sistemática no submundo das redes sociais". Houve outras ocasiões em que o PT citou ter sido vítima de fake news. Em março, a ex-presidente Dilma Rousseff contestou a série "O Mecanismo", sobre a Operação Lava-Jato, em função de uma informação falsa: a frase "estancar a sangria", na produção fictícia, foi atribuída ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando, na verdade, foi dita pelo senador Romero Jucá (MDB-RR).
O combate às notícias inverídicas tem sido uma bandeira do TSE para as eleições de 2018. Além do acordo com os partidos, o tribunal firmou parceria com o Google e o Facebook para prevenir desinformações na internet.
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