Ufal visa recuperar áreas que sofrem erosão em Japaratinga
Por meio do plantio de mudas, professora pretende auxiliar na fixação do solo e impedir a perda de sedimentos
Muito se fala sobre o avanço do mar em relação ao território terrestre, mas o que se tem feito? Plantando mudas na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Costa dos Corais, a professora Flávia Moura, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), deu os primeiros passos para recuperar essas áreas que perdem sedimentos para os oceanos. E o trabalho iniciou-se no município litorâneo de Japaratinga, na região Norte de Alagoas.
A ação piloto aconteceu no primeiro sábado de janeiro (5), quando ela e uma equipe de alunos levaram 50 mudas à Japaratinga. A docente explicou que essa ação foi feita após um ano e seis meses levantando dados sobre a flora da região e identificando técnicas para a produção de mudas de boa qualidade que pudessem recuperar as áreas degradadas.
"A ideia é que isso se torne um projeto de extensão baseado no modelo que acompanhei durante o pós-doutorado, na Austrália. A vegetação fixa o solo e impede que, com o avanço do mar, sedimentos sejam perdidos. Na linha da costa, comprovadamente isso reduz a energia das marés. Isso é importante porque, quando esses materiais vão para os oceanos, podem prejudicar negativamente os ecossistemas marinhos. Além disso, melhora muito a qualidade da água”, explica a Flávia.
A professora usou como exemplo uma região de recuperação avançada no Povoado de Bitingui, também em Japaratinga. ‘Seu Zito', dono de um estabelecimento local, realizou o plantio, após orientações do Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio), e hoje, dois anos depois, as ondas conseguem ser contidas, quando antes, na maré alta, chegavam dentro do bar.
Flavia conta ainda que outros moradores, aos perceber os benefícios também plantaram algumas mudas. A iniciativa da professora já está cadastrada na Pró-reitoria de Extensão (Proex) da Ufal e deve fazer parte do Projeto Ecológico de Longa Duração (Peld) da APA Costa dos Corais.
Em casos da necessidade de recuperação de áreas privadas, é necessário que os proprietários autorizem o plantio. Já nas áreas públicas, a parceria com órgãos responsáveis é um pré-requisito.
Existem mais quatro áreas pilotos onde as ações devem ser desenvolvidas. A próxima está prevista para abril e a intenção é que a população local possa se envolver com o projeto, realizando o plantio, qualificando e quantificando o lixo das praias.
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