“Coaching de relacionamento” extorquiu mais de R$ 80 mil de 26 mulheres no DF
Umas das vítimas anexou à ocorrência policial um laudo médico afirmando que Andrade transmitiu para ela doença venérea HPV, após convencê-la a manter relações sexuais sem o uso de preservativo
Com faro aguçado para identificar mulheres emocionalmente vulneráveis, um homem que se apresenta como “coach sentimental” seduz, extorque e descarta as vítimas com a mesma facilidade que enreda empresárias, servidoras públicas e profissionais liberais de sucesso. A Polícia Civil do Distrito Federal apura uma série de ocorrências registradas contra Jairo de Andrade Silva, 47 anos.
Apaixonada pelas juras de amor cantadas em prosa e verso pelo homem, uma das 26 mulheres que figurava na lista de conquistas de Andrade perdeu milhares de reais e ainda comprou um carro para o amado circular pela cidade. Vítima teria perdido cerca de R$ 80 mil após se envolver com o "Dom Juan".
Mais que isso: a vítima anexou à ocorrência policial um laudo médico afirmando que Andrade transmitiu para ela doença venérea HPV, após convencê-la a manter relações sexuais sem o uso de preservativo.
Jogo de sedução
Com a condição de se manter anônima, uma das vítimas ouvidas pela reportagem contou, em detalhes, como o Don Juan age. A servidora pública de 60 anos afirmou ter se relacionado com o coach durante o período de um ano. “No início, tudo são flores. Ele é maravilho e sabe dizer exatamente o que qualquer mulher gosta de ouvir. Jairo explora com perfeição a vulnerabilidade de mulheres que estão sozinhas e frágeis psicologicamente”, disse.
Segundo a servidora, Andrade usa e abusa da lábia no momento da conquista e utiliza a mesma habilidade na hora de pedir empréstimos financeiros, que jamais são quitados. “Em nenhum relacionamento ele gasta um centavo que seja. Viagens, jantares, presentes e muito menos o motel; nada ele paga ou divide com a outra pessoa. Ele costuma inventar mil desculpas, principalmente na hora de pedir dinheiro emprestado e quitar qualquer tipo de conta pessoal, como pensão para o filho do primeiro casamento ou a fatura do celular”, listou a mulher.
“Ao todo, emprestei mais de R$ 23 mil e ainda comprei um carro para ele usar, sempre com a promessa de que me pagaria”, contou a servidora.
Segundo ela, o coach espera o momento certo de arrancar dinheiro das vítimas. Para isso, ele terminava o relacionamento e em seguida reatava. Com a companheira satisfeita pelo retorno, o pedido de empréstimo ocorria em seguida. “Nós terminamos o relacionamento por três vezes. Em cada retorno ele me pedia mais dinheiro emprestado. E eu dava”, lamentou. O namoro só terminou de vez após a mulher ouvir do coach que, durante o relacionamento, ele se envolvia, simultaneamente, com outras 25 mulheres.
Sexo sem proteção
Andrade gostava de manter relações sexuais sem preservativo, com todas as mulheres com quem se relacionava, segundo a servidora. Fotos e vídeos registravam as cenas de sexo, que depois eram enviadas para outras mulheres do círculo de Andrade. “Ele sempre frisava que não tinha mais ninguém além de mim e era fiel. A mentira foi tão grande que ele me contaminou com HPV. Além das dívidas provocadas por ele, ainda fiquei doente”, disse, lembrando que namorou o Don Juan entre 23 de março de 2019 e 13 junho deste ano.
Outra mulher que se envolveu com o coach reforçou que o homem age sempre da mesma forma. Ele faz a mulher se sentir única, amada e desejada sexualmente. Primeiro, vem o pedido de sexo sem camisinha; depois, de dinheiro emprestado. “Ele não tem qualquer fonte de renda. Vive desses sonhos de se dizer coach sentimental mas não consegue ter, sequer, um relacionamento verdadeiro”, afirmou a comerciante, de 47 anos.
Segundo ela, existem quatro grupos distintos nos quais o Don Juan dividia as 26 mulheres com quem se relacionava. O primeiro seria a seleção de “mulheres públicas”, conhecidas na cidade, principalmente no ramo onde atuam. “Muitas dessas pessoas sentem vergonha, pois, mesmo divorciadas, os filhos não sabem que ela foi vitima de um golpe e perdeu dinheiro para um homem como esse”, contou a empresária. O segundo grupo é o de “mulheres casadas”, que mantinham relacionamento extraconjugal com o coach.
“O terceiro grupo é o de mulheres com grana, boa condição financeira, que ele usava para conseguir bens materiais”, ressaltou. O último grupo era o de “influencers”, mulheres que tinham muitos seguidores em suas redes sociais.
O outro lado
O Metrópoles tentou entrar em contato com Jairo Andrada, por meio de telefone e mensagens via WhatsApp. Ele não atendeu nem as ligações ou respondeu as mensagens enviadas. O espaço permanece aberto para manifestação.
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