FPI do São Francisco constata destruição de sítio arqueológico no Agreste
Um dos mais representativos sítios arqueológicos encontrados em Alagoas, localizado na cidade de Limoeiro de Anadia, foi transformado em uma imensa plantação de cana-de-açúcar. A constatação foi realizada nesta segunda-feira (22), durante os trabalhos da equipe de comunidades tradicionais e patrimônio cultural da Fiscalização Preventiva e Integrada (FPI) do São Francisco.
A área é conhecida como Chã dos Cacos, pertence a uma usina de açúcar da região, estende-se por uma área de aproximadamente dois hectares e sua importância estava na quantidade de material etnográfico encontrado. Segundo os arqueólogos que integram a FPI, o espaço poderia ser uma peça fundamental na montagem do quebra-cabeças que forma a pré-história da região onde está localizada Alagoas.
“Aqui existia muito material para pesquisa. Uma quantidade impressionante de urnas funerárias, restos de esqueletos, cerâmicas, utensílios domésticos e peças utilizadas em rituais. Via-se sem dificuldades os pisos de ocupação, que já foram destruídos. Perdeu-se uma grande chance de saber mais sobre a pré-história alagoana, que é uma época ainda pouco conhecida”, lamentou a arqueóloga do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rute Barbosa.
Sem valor científico
A representante do Iphan ainda contou que as primeiras notícias documentadas do sítio datam do final do século XIX, mas que só em 2013 foram tomadas as primeiras providências na tentativa de preservar a área.
"A usina que planta neste terreno foi notificada, mas não obedeceu e continuou com o plantio. Isso prejudicou um projeto de pesquisa em andamento, que foi paralisado. Na época, outros órgãos foram acionados para intervir, mas até agora nada aconteceu e, hoje, este sítio já não tem mais valor científico", declarou.
A arqueóloga explicou que, ao remexer na terra para preparar o plantio, acontece a remoção do material etnográfico e seu valor arqueológico é perdido.
"Quando são removidos, os utensílios perdem seu valor cinético. Nosso protocolo é rígido quanto a manipulação desse material, que continua com valor histórico, mas poderia oferecer mais para entendimento da identidade cultural alagoana”, afirmou.
Para o coordenador da equipe e antropólogo do Ministério Público Federal (MPF), Ivan Neves, a situação coloca em risco o estudo da história alagoana.
"Com essa constatação de hoje, concluímos que a história da ocupação humana de Alagoas permanece na penumbra. É um absurdo. Inclusive essa destruição do sítio pode culminar em uma ação penal", finalizou.
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