Julgamento do caso Roberta Dias tem início hoje em Penedo com oitivas de oito testemunhas de acusação
Réus Karlo Bruno e Mary Jane respondem por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e aborto provocado por terceiro
Tem início na manhã desta quarta-feira (23), no Fórum de Penedo, o julgamento do caso Roberta Costa Dias, jovem de 18 anos assassinada em 2012, quando estava grávida de três meses. No primeiro dia do Tribunal do Júri, estão previstas as oitivas de oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), que representa a acusação. A sessão é conduzida pelo promotor Sitael Jones Lemos, da 4ª Promotoria de Justiça de Penedo, responsável também pela denúncia oferecida ainda em 2018.
No banco dos réus estão Karlo Bruno Pereira Tavares, conhecido como “Bruninho”, e Mary Jane Araújo Santos, apontados como autores materiais e intelectuais do crime. Eles respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado – por motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa da vítima –, aborto provocado por terceiro, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
De acordo com a denúncia do MPAL, Roberta foi atraída por Saullo, então namorado e filho de Mary Jane, para uma emboscada. O crime teria ocorrido próximo a um posto de saúde onde a jovem havia ido para uma consulta de pré-natal. Dentro do carro usado no trajeto, Karlo Bruno estaria escondido no porta-malas e, ao se aproximarem de um local isolado, teria enforcado a vítima com um fio de som automotivo, sob a presença do próprio Saullo. A motivação, segundo a acusação, teria sido a recusa da jovem em interromper a gestação.
“A materialidade e a autoria estão nas mais de 4,7 mil páginas do processo. O homicídio foi premeditado e executado com crueldade. Mary Jane procurou a vítima dias antes, tentando convencê-la a abortar. Diante da negativa, planejou o assassinato junto ao filho, envolvendo também o réu Karlo Bruno”, afirmou o promotor Sitael Jones Lemos.
Ainda conforme a ação penal, os acusados ocultaram o corpo da jovem, cuja ossada só foi localizada nove anos depois, em 2021, na Praia do Pontal do Peba, em Piaçabuçu. A identificação dos restos mortais só foi possível após a mobilização da mãe da vítima, que, ao ouvir sobre a descoberta de um crânio na região, contratou uma escavadeira para realizar buscas no local. A Perícia Oficial confirmou, posteriormente, que os ossos eram de Roberta.
O julgamento seguirá até a próxima sexta-feira (25). Nesta quinta-feira (24), será a vez das testemunhas de defesa, seguidas dos interrogatórios dos réus. No último dia, acusação e defesa terão duas horas e meia para apresentar seus argumentos, com possibilidade de réplica e tréplica.
Saullo, à época com 17 anos, não responde como réu no júri por ser menor de idade. O adolescente foi representado pela Vara da Infância e da Juventude. Já Karlo Bruno e Mary Jane podem ser condenados por todos os crimes listados na denúncia, caso os jurados acolham a tese do Ministério Público.
O caso, que chocou Alagoas, simboliza a brutalidade da violência contra a mulher e ganhou novos contornos com a descoberta tardia dos restos mortais da vítima. A expectativa é que, após mais de uma década de espera, a Justiça seja finalmente feita.
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