Motorista que forjou sequestro e incendiou carro arrecadou R$ 14 mil em doações
Investigação apontou que homem mentiu ao relatar que sofreu tentativa de latrocínio e ter sido queimado por criminosos
A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) revelou que Josivaldo dos Santos da Silva, motorista por aplicativo, arrecadou cerca de R$ 14 mil em doações após forjar o próprio sequestro e incendiar propositalmente seu veículo com a intenção de aplicar um golpe contra a seguradora.
De acordo com as investigações, a campanha de arrecadação foi organizada por um líder de um grupo de motoristas por aplicativo, que acreditava na versão apresentada por Josivaldo. Sensibilizado com o suposto crime, ele entrou em contato com a família do motorista e iniciou a mobilização para arrecadar recursos. Com base em extratos bancários, o organizador confirmou que os depósitos somaram cerca de R$ 14 mil.
Contudo, a farsa foi desmascarada após diligências e análise de imagens de câmeras de segurança, que mostraram o motorista comprando combustível momentos antes do suposto sequestro. Segundo a Polícia Civil, ele ateou fogo ao próprio carro em uma área isolada do bairro Benedito Bentes, na parte alta de Maceió, com o objetivo de acionar o seguro, que incluía cobertura contra incêndio. Durante o ato, acabou sofrendo queimaduras leves.
O veículo foi recolhido pela seguradora, e o motorista acionou o seguro no mesmo dia em que registrou a falsa ocorrência na Central de Flagrantes, afirmando ter sido sequestrado por três homens armados que teriam tentado matá-lo em um canavial.
Com o esclarecimento do caso, o organizador da campanha de doações sugeriu que o valor arrecadado fosse redirecionado a um colega de profissão, cuja situação é verídica e delicada: o filho de quatro anos do motorista enfrenta tratamento contra um câncer, e o pai está afastado do trabalho para acompanhar o tratamento da criança.
A Polícia Civil orienta que as pessoas que doaram dinheiro ao motorista procurem a delegacia mais próxima e registrem um boletim de ocorrência por estelionato, a fim de que os valores possam ser, se possível, ressarcidos judicialmente. A orientação inicial para a liderança, no entanto, é para que aguarde contato de doadores até a próxima semana.
Josivaldo foi formalmente indiciado pelos crimes de estelionato (art. 171, §2º, V), falsidade ideológica (art. 299) e comunicação falsa de crime (art. 340). Somadas, as penas podem ultrapassar 10 anos de prisão.
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