Julgamento de personagem polêmico se tornará livro e documentário
Júri de Domingos Fernandes Calabar ocorre neste dia 22 de julho, em Porto Calvo
O “Julgamento da História” vai virar livro e documentário. O personagem mais polêmico da história do Brasil: Domingos Fernandes Calabar finalmente terá a sentença de heroi ou traidor neste dia 22 de julho, em Porto Calvo, região Norte de Alagoas. O homem que foi acusado de trair a pátria será julgado exatamente 383 anos após a morte por enforcamento. Os órgãos participantes do ato transformarão o julgamento em uma nova página da história.
Muitos historiadores e estudiosos afirmam que ele foi traidor, por ter desertado à época para o exército holandês; já outros, o veem como grande heroi e idealista por ter uma visão que a Holanda seria melhor para o Brasil de que o domínio luso-espanhol. Mas a sentença final só será dada quando o corpo de jurados formados por 13 personalidades alagoanas derem o veredicto neste domingo, no Fórum Domingos Fernandes Calabar.
O Julgamento Simulado de Calabar ocorrerá a partir das 10h da manhã no Tribunal de Júri Dr. Alfredo Alves, mas o evento será transmitido em tempo real em um grande telão com 300 cadeiras na frente do fórum, no Centro da cidade, para as caravanas que vão chegar de todo o Estado para acompanhar o “Julgamento da História”. Em Porto Calvo, a expectativa para o evento está enorme e esse está sendo um dos atos mais esperados pela população.
O júri pós-morte de Domingos Fernandes Calabar terá o banco dos réus vazio e sem testemunhas. O juiz do caso será o atual presidente da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis), Ney Costa Alcântara de Oliveira; a acusação ficará por conta do promotor Geraldo de Magela e do advogado e sociólogo Rodrigo Leite; a defesa do personagem está sob o comando dos advogados José Ailton Tavares e Ney Pirauá.
O corpo de jurados será formado por 13 personalidades alagoanas e já estão confirmados: o procurador-geral do Estado, Alfredo de Gaspar Mendonça; o presidente da Associação Alagoana de Letras, Rostand Lanverly; a juíza e ex-presidente da Almagis, Fátima Pirauá; os escritores Douglas Apratto e Severino Ramos Barbosa; o historiador Geraldo de Majella; o procurador Márcio Roberto Tenório; o médico e prefeito de Maragogi, Fernando Sérgio Lira Neto; os jornalistas Ênio Lins e Maurício Silva; os professores Zezito Araújo e Valdomiro Rodrigues; e outra pessoa a ser confirmada.
O evento no dia 22 de julho de 2018 é uma organização da Prefeitura de Porto Calvo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com integrantes do Poder Judiciário, do Ministério Público Estadual, da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas, da Defensoria Pública, da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis) e da Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal). Esses órgãos vão transformar o Julgamento Simulado de Calabar em livro e documentário.
Um pouco de Calabar
A figura polêmica de Domingos Fernandes Calabar é o personagem mais importante do período Holandês no Brasil. Ele foi taxado de traidor na época por ter desertado do lado português para o holandês. Calabar foi preso em uma emboscada em julho de 1635 e acabou sendo enforcado e teve o corpo esquartejado pelas ruas históricas de Porto Calvo. No século XX, alguns historiadores passaram a considera-lo heroi por ter tido a visão que o domínio holandês seria melhor para o Brasil. Heroi ou traidor? O resultado é dia 22 de julho de 2018.
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