Catadora se inspira no filho e monta 'galeria de arte' embaixo de viaduto
Mulher colocou brinquedos à mostra e também os vende para complementar a renda. Ideia surgiu há dois anos como forma de presentear o filho caçula
A parte de baixo do viaduto dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, é muito mais do que o lar da família da catadora de materiais recicláveis Juliana Cláudia Efigênia Machado, de 36 anos. No local ainda é possível comprar ou doar brinquedos, quadros, discos, chaveiros, entre tantos outros objetivos que fazem parte do acervo de recicláveis.
Juliana mora no local há quatro anos, ao lado do marido, que também é catador, e do filho de dois anos. Junto com o nascimento do menino Davi, a mulher começou a juntar as miniaturas que dão cores ao lugar. “Eu nunca tive uma boneca para brincar, meus filhos mais velhos também não tiveram brinquedos, então eu comecei a juntar todos que via para o Davi”, diz.
Mas ela afirma que não se apega a nenhum brinquedo: “se chegar aqui, pode comprar, e eu vendo baratinho, não tenho muita ganância”. Juliana também tem discos, chaveiros, alguns enfeites e livros para vender. Ela diz que os itens que estão à disposição hoje chegaram lá há pouco tempo, pois a rotatividade é muito grande.
A maior parte da renda da família, no entanto, não vem da venda dos itens que ficam expostos no local. O marido sai com a carroça, pega materiais recicláveis e vende no ferro-velho. Assim eles vão sobrevivendo. “Eu não tenho muita ganância, não queria muito dinheiro, só queria poder comprar um sorvete toda vez que tivesse vontade”, exemplifica.
Além de vender, os brinquedos que ficam expostos em prateleiras e no chão são usados para divertir o filho caçula e os outros quando vão visitá-la. Ela tem oito filhos, mas os outros sete moram na casa de familiares, no Jardim Nakamura (periferia da zona sul). Neste fim de ano, dois estão passando os dias com ela: Hady, 11 anos, e Jorge, de 14.
Hady afirma que não brinca mais, acha que já passou da idade. Por outro lado, o irmão três anos mais velho pega vários bonecos para brincar e retruca a mãe quando ela diz que ele “já está grande mais para isso”. Segundo ela, Jorge é “nerd e adora uma leitura, agora está lendo Diário de um Banana”.
Por enquanto, ele é o único filho que seguiu os gostos da mãe em ler. Davi ainda pode seguir também. “Sempre falo para eles que a leitura abre muito a cabeça, leva eles para outro mundo, mas só o Jorge que lê e só quando está aqui mesmo”. Juliana diz que lê de tudo, mas prefere livros religiosos.
Antes de se mudar para debaixo do viaduto, Juliana pagava aluguel com o dinheiro que ganhava com a venda de latinhas no ferro-velho. “Sei o que estou vivendo, e é muito difícil criar um filho debaixo da ponte, mas o pior é ter que pagar aluguel, sabendo que é um dinheiro que você paga hoje e amanhã já está devendo de novo”.
Apesar das dificuldades de morar embaixo de um viaduto, Juliana fala que não é de reclamar. “Aqui eu faço comida, consigo fazer as coisas tudo, dá para viver, meu único medo é de vir alguma pessoa malvada para levar meu filho”, afirma.
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