Justiça determina que Maragogi ordene atividades náuticas nas praias
Decisão liminar visa proteção de banhistas e do meio ambiente
A Justiça Federal acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que o município de Maragogi apresente, no prazo de 30 dias, um projeto técnico de balizamento náutico para organizar o uso da orla, com apoio da Capitania dos Portos. A informação foi divulgada na tarde desta quarta-feira (10). Após, no prazo de 90 dias, o município deverá implementar o plano, sob pena de multa diária de R$ 3.000,00 em caso de descumprimento.
A decisão do juiz federal Gustavo de Mendonça Gomes foi proferida no âmbito de ação civil pública ajuizada pelo MPF, que apontou a omissão da municipalidade em disciplinar a circulação de embarcações motorizadas, como motos aquáticas, em áreas frequentadas por banhistas. A falta de ordenamento vem provocando riscos à segurança de moradores e turistas, além de ameaçar ecossistemas da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que abriga espécies ameaçadas como tartarugas e peixe-boi marinho.
O plano de balizamento deverá abranger, especialmente, as praias de São Bento, Maragogi, Barra Grande, Antunes, Xaréu ‘Praia da Bruna’, Ponta de Mangue e Peroba, e contemplar medidas específicas, incluindo a criação de áreas exclusivas para banhistas, corredores de entrada e saída de embarcações, zonas de exclusão ambiental e espaços destinados à prática de esportes náuticos. A proposta busca harmonizar diferentes usos da faixa marítimo-costeira e garantir tanto a segurança dos frequentadores quanto a proteção ambiental.
Para o procurador da República, Lucas Horta, autor da ação, a medida representa um avanço na proteção da população e do patrimônio natural da região. “A ausência de ordenamento náutico vinha colocando em risco a vida de banhistas, além de comprometer ecossistemas frágeis da APA Costa dos Corais. A decisão judicial reforça que o município tem responsabilidade direta sobre a gestão de sua orla e precisa agir para assegurar um uso sustentável e seguro das praias”, afirmou.
A ação teve origem em inquérito instaurado pelo MPF após denúncias sobre circulação irregular de jet skis (motos aquáticas) na Praia de Antunes e foi instruída com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Capitania dos Portos de Alagoas. Ambos os órgãos confirmaram que cabe ao município o ordenamento do uso do espelho d’água.
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