Alagoas

Municípios discutem projetos para acabar com o trabalho infantil em Alagoas

Debate foi provocado pela Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social durante encontro

Por Assessoria 12/07/2017 08h08
Municípios discutem projetos para acabar com o trabalho infantil em Alagoas
III Encontro Intersetorial do Programa de Erradicação do Trabalho infantil (Peti) - Foto: Assessoria

Os 102 municípios alagoanos voltaram suas atenções, na manhã dessa terça-feira (11), para o debate acerca do enfrentamento ao trabalho infantil em Alagoas e as estratégias para a elaboração de planos municipais de erradicação do trabalho infantil e proteção ao jovem trabalhador.

Com a presença de gestores municipais e estaduais, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), realizou o III Encontro Intersetorial do Programa de Erradicação do Trabalho infantil (Peti), no Centro de Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no Jaraguá.

Durante a solenidade de abertura do evento, o secretário Fernando Pereira alertou para a responsabilidade que os órgãos públicos e a sociedade civil tem nesse contínuo enfrentamento.

“Aqueles que colaboram para o trabalho infantil estão antecipando a fase adulta da criança e isso possivelmente se repetirá em outras gerações, o que reforça a concepção de que o trabalho infantil se torna um círculo familiar, perverso e negativo, com perdas importantes para a formação de crianças e adolescentes”, disse o secretário Fernando Pereira.

“Tanto o Estado como a sociedade civil tem seu papel nessa luta. E é sobre as estratégias necessárias para esse combate que nos reunimos para este evento. A partir deste encontro os municípios irão elaborar dos seus planos municipais, que deverão conter ações e metas que visem erradicar a totalidade do trabalho infantil em Alagoas”, disse.

Os planos municipais são documentos que deverão ser elaborados pelos municípios a fim de identificar e definir as ações que precisam ser executadas para superar o trabalho infantil a partir da realidade de cada território de abrangência.

“Os multifacetados cenários de violações de direitos de crianças e adolescentes explorados no trabalho, seja na zona rural ou na zona urbana, impõem aos municípios uma ação imediata de enfrentamento. Essas ações devem estar previstas em seu plano municipal”, explicou o secretário.

Segundo o ultimo censo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), que compara os anos 2014 a 2015, são 2,6 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade em situação de trabalho infantil, desse total 31 mil estão em Alagoas. Em 2014 o número total era 3,3 milhões em todo o país, 48 mil estavam em Alagoas.

Os números foram apresentados durante o evento pela integrante da Coordenação Colegiada do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador de Alagoas (Fetipat/AL) e Assistente Social da Seades, Marluce Pereira. Segundo a assistente social o trabalho infantil se concentra em atividades de difícil fiscalização.

“Sabemos que por conta da fiscalização cada vez mais atuante, o trabalho infantil hoje está em atividades informais urbanas, na agricultura familiar, no aliciamento por tráfico, exploração sexual e afazeres domésticos.”, explicou.

Ainda de acordo com Marluce Pereira essas formas de trabalho infantil ajudam a perpetuar a ideia de que é melhor uma criança trabalhando do que ociosa, o que contribui para que esse problema seja naturalizado e muitas vezes não percebido.

“É necessário que seja feito um trabalho de sensibilização para que isso seja percebido pela sociedade e muita vezes até por gestores públicos. Temos que somente com o adequado funcionamento da rede de proteção é que conseguiremos enfrentar e erradicar o trabalho infantil em Alagoas”, disse.

Para o conselheiro tutelar José Roberto, o encontro foi uma oportunidade de trocar experiencias com outros municípios e fortalecer a rede de proteção a criança e ao adolescente.

“Como agente público que zela pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, sei que a ausência e a fragilidade de politicas públicas contribuem para que o trabalho infantil seja perpetuado. Com as diretrizes traçadas junto ao governo do Estado poderemos ampliar significativamente nossas ações e estratégias de enfrentamento”, disse.

O evento contou com a participação da deputada estadual Jó Pereira, a professora mestra em serviço social e integrante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil da Paraíba, Maria Senharinha Soares, a presidente do conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente, Rickelane Gouveia e a auditora discal do trabalho, Railene Cunha.