Municípios discutem projetos para acabar com o trabalho infantil em Alagoas
Debate foi provocado pela Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social durante encontro
Os 102 municípios alagoanos voltaram suas atenções, na manhã dessa terça-feira (11), para o debate acerca do enfrentamento ao trabalho infantil em Alagoas e as estratégias para a elaboração de planos municipais de erradicação do trabalho infantil e proteção ao jovem trabalhador.
Com a presença de gestores municipais e estaduais, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), realizou o III Encontro Intersetorial do Programa de Erradicação do Trabalho infantil (Peti), no Centro de Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no Jaraguá.
Durante a solenidade de abertura do evento, o secretário Fernando Pereira alertou para a responsabilidade que os órgãos públicos e a sociedade civil tem nesse contínuo enfrentamento.
“Aqueles que colaboram para o trabalho infantil estão antecipando a fase adulta da criança e isso possivelmente se repetirá em outras gerações, o que reforça a concepção de que o trabalho infantil se torna um círculo familiar, perverso e negativo, com perdas importantes para a formação de crianças e adolescentes”, disse o secretário Fernando Pereira.
“Tanto o Estado como a sociedade civil tem seu papel nessa luta. E é sobre as estratégias necessárias para esse combate que nos reunimos para este evento. A partir deste encontro os municípios irão elaborar dos seus planos municipais, que deverão conter ações e metas que visem erradicar a totalidade do trabalho infantil em Alagoas”, disse.
Os planos municipais são documentos que deverão ser elaborados pelos municípios a fim de identificar e definir as ações que precisam ser executadas para superar o trabalho infantil a partir da realidade de cada território de abrangência.
“Os multifacetados cenários de violações de direitos de crianças e adolescentes explorados no trabalho, seja na zona rural ou na zona urbana, impõem aos municípios uma ação imediata de enfrentamento. Essas ações devem estar previstas em seu plano municipal”, explicou o secretário.
Segundo o ultimo censo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), que compara os anos 2014 a 2015, são 2,6 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade em situação de trabalho infantil, desse total 31 mil estão em Alagoas. Em 2014 o número total era 3,3 milhões em todo o país, 48 mil estavam em Alagoas.
Os números foram apresentados durante o evento pela integrante da Coordenação Colegiada do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador de Alagoas (Fetipat/AL) e Assistente Social da Seades, Marluce Pereira. Segundo a assistente social o trabalho infantil se concentra em atividades de difícil fiscalização.
“Sabemos que por conta da fiscalização cada vez mais atuante, o trabalho infantil hoje está em atividades informais urbanas, na agricultura familiar, no aliciamento por tráfico, exploração sexual e afazeres domésticos.”, explicou.
Ainda de acordo com Marluce Pereira essas formas de trabalho infantil ajudam a perpetuar a ideia de que é melhor uma criança trabalhando do que ociosa, o que contribui para que esse problema seja naturalizado e muitas vezes não percebido.
“É necessário que seja feito um trabalho de sensibilização para que isso seja percebido pela sociedade e muita vezes até por gestores públicos. Temos que somente com o adequado funcionamento da rede de proteção é que conseguiremos enfrentar e erradicar o trabalho infantil em Alagoas”, disse.
Para o conselheiro tutelar José Roberto, o encontro foi uma oportunidade de trocar experiencias com outros municípios e fortalecer a rede de proteção a criança e ao adolescente.
“Como agente público que zela pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, sei que a ausência e a fragilidade de politicas públicas contribuem para que o trabalho infantil seja perpetuado. Com as diretrizes traçadas junto ao governo do Estado poderemos ampliar significativamente nossas ações e estratégias de enfrentamento”, disse.
O evento contou com a participação da deputada estadual Jó Pereira, a professora mestra em serviço social e integrante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil da Paraíba, Maria Senharinha Soares, a presidente do conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente, Rickelane Gouveia e a auditora discal do trabalho, Railene Cunha.
Veja também
Últimas notícias
[Vídeo] Ataque a tiros deixa homem morto com oito tiros e outro ferido em Arapiraca
Vídeo mostra momento em que motociclista morre ao cair do veículo na BR-101 em Messias
Vorcaro pediu para Sicário 'moer' empregada de atriz Monique Alfradique, diz PF
STF aguarda explicações de Bolsonaro sobre arma apreendida em blitz
STF retoma nesta quarta (17) julgamento para definir regras sobre big techs
Governo retira urgência de projeto sobre 6x1; entenda próximos passos
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Fernando Barbosa, fundador do tradicional Bar do Caldinho, morre aos 76 anos em Arapiraca
